A ACT Promoção da Saúde realizou a 18ª edição do Seminário “Alianças Estratégicas para Promoção da Saúde” entre os dias 19 e 21 de agosto, em Brasília (DF). Com o tema “Prevenção de DCNTs 360 – Garantir o direito à saúde por meio de ambientes saudáveis”, o evento reuniu 150 participantes de todo o país para debater a saúde em seu sentido mais amplo. A programação incluiu painéis, mesas de discussão, visita ao Congresso Nacional e exposição de pôsteres com pesquisas e trabalhos científicos.

Conexão entre o global e o local

A mesa de abertura, intitulada “Prevenção de DCNTs 360 – Como garantir o direito à saúde por meio de ambientes saudáveis”, contou com a participação da pesquisadora e pneumologista Margareth Dalcolmo. Em sua apresentação, a médica apresentou dados alarmantes, destacando que as mudanças climáticas representam um risco significativo e sistêmico para a saúde global, “exacerbando doenças existentes e criando novas ameaças à saúde humana”, afirmou.

A conexão entre a agenda global e local foi mantida durante a programação, que também trouxe novos dados sobre as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil. Letícia Cardoso, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, informou que, em 2023, 53,6% dos óbitos no país foram causados por DCNTs. Segundo ela, os principais fatores de risco comportamentais para o adoecimento são o tabagismo, o consumo de álcool, a má alimentação e a inatividade física.

O primeiro dia também foi marcado por homenagens. Patricia Sosa, da Campaign for Tobacco-Free Kids, foi agraciada em reconhecimento à parceria de longa data com a ACT. “Ela foi essencial para os avanços que obtivemos nos últimos anos, e a parceria sempre se manteve pautada pela cooperação, respeito, autonomia e apoio mútuo”, dizia o filme exibido em sua homenagem. A reciprocidade veio com uma surpresa preparada pela CTFK para a diretora-geral da ACT, Mônica Andreis. Ao final do dia, os participantes assistiram a uma sessão especial do documentário “Comida de Mentira”, de Rafael Mellim, que será lançado em breve.

Atuar no presente para garantir o futuro

Nos dias seguintes, diversas abordagens sobre as DCNTs foram apresentadas em 26 pôsteres. Os temas incluíam desde a representação do tabagismo em filmes até a importância da atividade física para mulheres, passando por dados sobre o impacto da alimentação e dos cigarros eletrônicos (vapes). A diversidade de assuntos foi explorada em um quiz que animou os participantes, que ganharam prêmios.

A mesa “Saúde, Meio Ambiente e Interseccionalidades” trouxe novas perspectivas para o futuro. A poluição do ar foi destacada como um desafio global, sendo responsável por 8,1 milhões de mortes em 2021. Heloisa Ribeiro, da Clean Air Fund, explicou que “atualmente, a poluição do ar mata mais do que o tabaco, e 99% das pessoas respiram ar que excede os limites das diretrizes da OMS”. Victor de Jesus, da UFES, reforçou a necessidade de reconhecer as iniquidades em saúde ambiental que, além da classe social, estão relacionadas a questões de raça e gênero, para reduzir as desigualdades em saúde.

Outro ponto alto do seminário foi o dia de advocacy, que começou com a mesa “Tributação, Saúde e Equidade: O Papel do Imposto Seletivo e do Imposto de Renda na Reforma Tributária 3S (Saudável, Solidária e Sustentável)”. O evento, que contou com a participação de nomes como o deputado federal Pastor Henrique Vieira, Francisco Tavares (Observatório do Sistema Tributário), Marcello Baird (ACT) e Viviana Santiago (Oxfam), marcou o lançamento do “Manifesto em defesa da saúde na reforma tributária”, assinado por centenas de entidades e personalidades como Drauzio Varella, Rita Lobo e Bela Gil. No período da tarde, os participantes visitaram gabinetes de deputados e deputadas na Câmara Federal para defender o projeto de reforma tributária 3S.

Enfrentar os desafios para “adiar o fim do mundo”

O último dia do evento focou na atuação das grandes corporações e nas estratégias para enfrentá-las. Nas mesas “Presente e futuro da comunicação na era digital”, “Estratégias de estímulo ao consumo de produtos nocivos” e “Por trás dos Lucros: monitoramento de práticas das indústrias” ficou evidente que empresas dos setores de tecnologia, tabaco, álcool e ultraprocessados usam estratégias como blackwashing, greenwashing, precarização do trabalho e hiperjudicialização para promover produtos nocivos, sempre em busca de lucro.

As diretoras Paula Johns e Mônica Andreis encerraram a programação, reconhecendo a vastidão dos desafios, mas reafirmando o compromisso da ACT Promoção da Saúde de continuar a defender a saúde pública, transformando “o impossível em indispensável”.