28 de agosto de 2025
Viviane Tavares
A ACT Promoção da Saúde realizou a 18ª edição do Seminário “Alianças Estratégicas para Promoção da Saúde” entre os dias 19 e 21 de agosto, em Brasília (DF). Com o tema “Prevenção de DCNTs 360 – Garantir o direito à saúde por meio de ambientes saudáveis”, o evento reuniu 150 participantes de todo o país para debater a saúde em seu sentido mais amplo. A programação incluiu painéis, mesas de discussão, visita ao Congresso Nacional e exposição de pôsteres com pesquisas e trabalhos científicos.
A mesa de abertura, intitulada “Prevenção de DCNTs 360 – Como garantir o direito à saúde por meio de ambientes saudáveis”, contou com a participação da pesquisadora e pneumologista Margareth Dalcolmo. Em sua apresentação, a médica apresentou dados alarmantes, destacando que as mudanças climáticas representam um risco significativo e sistêmico para a saúde global, “exacerbando doenças existentes e criando novas ameaças à saúde humana”, afirmou.
A conexão entre a agenda global e local foi mantida durante a programação, que também trouxe novos dados sobre as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil. Letícia Cardoso, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, informou que, em 2023, 53,6% dos óbitos no país foram causados por DCNTs. Segundo ela, os principais fatores de risco comportamentais para o adoecimento são o tabagismo, o consumo de álcool, a má alimentação e a inatividade física.
O primeiro dia também foi marcado por homenagens. Patricia Sosa, da Campaign for Tobacco-Free Kids, foi agraciada em reconhecimento à parceria de longa data com a ACT. “Ela foi essencial para os avanços que obtivemos nos últimos anos, e a parceria sempre se manteve pautada pela cooperação, respeito, autonomia e apoio mútuo”, dizia o filme exibido em sua homenagem. A reciprocidade veio com uma surpresa preparada pela CTFK para a diretora-geral da ACT, Mônica Andreis. Ao final do dia, os participantes assistiram a uma sessão especial do documentário “Comida de Mentira”, de Rafael Mellim, que será lançado em breve.
Nos dias seguintes, diversas abordagens sobre as DCNTs foram apresentadas em 26 pôsteres. Os temas incluíam desde a representação do tabagismo em filmes até a importância da atividade física para mulheres, passando por dados sobre o impacto da alimentação e dos cigarros eletrônicos (vapes). A diversidade de assuntos foi explorada em um quiz que animou os participantes, que ganharam prêmios.
A mesa “Saúde, Meio Ambiente e Interseccionalidades” trouxe novas perspectivas para o futuro. A poluição do ar foi destacada como um desafio global, sendo responsável por 8,1 milhões de mortes em 2021. Heloisa Ribeiro, da Clean Air Fund, explicou que “atualmente, a poluição do ar mata mais do que o tabaco, e 99% das pessoas respiram ar que excede os limites das diretrizes da OMS”. Victor de Jesus, da UFES, reforçou a necessidade de reconhecer as iniquidades em saúde ambiental que, além da classe social, estão relacionadas a questões de raça e gênero, para reduzir as desigualdades em saúde.
Outro ponto alto do seminário foi o dia de advocacy, que começou com a mesa “Tributação, Saúde e Equidade: O Papel do Imposto Seletivo e do Imposto de Renda na Reforma Tributária 3S (Saudável, Solidária e Sustentável)”. O evento, que contou com a participação de nomes como o deputado federal Pastor Henrique Vieira, Francisco Tavares (Observatório do Sistema Tributário), Marcello Baird (ACT) e Viviana Santiago (Oxfam), marcou o lançamento do “Manifesto em defesa da saúde na reforma tributária”, assinado por centenas de entidades e personalidades como Drauzio Varella, Rita Lobo e Bela Gil. No período da tarde, os participantes visitaram gabinetes de deputados e deputadas na Câmara Federal para defender o projeto de reforma tributária 3S.
O último dia do evento focou na atuação das grandes corporações e nas estratégias para enfrentá-las. Nas mesas “Presente e futuro da comunicação na era digital”, “Estratégias de estímulo ao consumo de produtos nocivos” e “Por trás dos Lucros: monitoramento de práticas das indústrias” ficou evidente que empresas dos setores de tecnologia, tabaco, álcool e ultraprocessados usam estratégias como blackwashing, greenwashing, precarização do trabalho e hiperjudicialização para promover produtos nocivos, sempre em busca de lucro.
As diretoras Paula Johns e Mônica Andreis encerraram a programação, reconhecendo a vastidão dos desafios, mas reafirmando o compromisso da ACT Promoção da Saúde de continuar a defender a saúde pública, transformando “o impossível em indispensável”.