7 de outubro de 2026
Felipe Freitas
O documentário Comida de Mentira nasceu para provocar perguntas sobre aquilo que chega ao nosso prato e sobre as estratégias que influenciam nossas escolhas. Produzido pelo Coletivo Bodoque em parceria com a ACT, com apoio de O Joio e O Trigo, o filme mostra como a indústria de alimentos ultraprocessados atua para moldar o que comemos, explorando estratégias de marketing, comunicação e outros mecanismos que impactam a saúde e também o meio ambiente.
Com narração de Denise Fraga e participação de especialistas, pesquisadores e personalidades como o pediatra Daniel Becker, a apresentadora Bela Gil, o epidemiologista Carlos Monteiro e a drag queen e palestrante Rita Von Hunty, o filme busca tratar de um tema complexo de forma acessível, aproximando informação, histórias reais e reflexão.
Depois de um lançamento ao público geral em abril de 2025, com sessões seguidas de debates, o documentário ganhou novos caminhos. A partir de uma estratégia de distribuição orientada ao impacto, Comida de Mentira passou a circular por diferentes espaços e territórios. Universidades, escolas, serviços de saúde, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, equipamentos culturais e outras instituições abriram espaço para sessões e atividades relacionadas ao documentário.
Em muitos desses lugares, assistir ao filme era apenas o começo. As sessões deram origem à debates, rodas de conversa e atividades que ajudaram a conectar as questões apresentadas no documentário com a realidade de cada público. Alimentação saudável, publicidade, saúde, educação, políticas públicas, desigualdade e o papel da indústria entraram na conversa.

Esse foi um dos grandes diferenciais da campanha. Em vez de pensar apenas em quantas pessoas assistiram ao filme, a proposta foi fazer com que Comida de Mentira encontrasse redes que já discutem esses temas e pudesse ser incorporado às atividades de formação, pesquisa, mobilização e incidência.
Nas universidades, o documentário passou a fazer parte de disciplinas, projetos de extensão e debates em diferentes áreas do conhecimento. Em escolas e espaços de educação, abriu conversas sobre alimentação e saúde. Em movimentos sociais e organizações da sociedade civil, ajudou a aproximar o debate sobre o sistema alimentar de outras pautas e realidades.
O documentário passou por todas as regiões do Brasil, chegando a 23 estados, e também ganhou sessões no exterior: no Uruguai, na Colômbia, em Portugal e na Venezuela. Uma circulação que mostra como as questões levantadas pelo filme atravessam diferentes realidades e não estão restritas a um único lugar.


Ao longo desse percurso, uma coisa ficou evidente. O impacto de um filme como Comida de Mentira não está apenas naquilo que acontece durante os seus 65 minutos. Está também nas conversas que ele provoca, nas perguntas que permanecem depois da sessão e nas conexões que podem surgir a partir delas.
Mais de 350 relatos já foram enviados por pessoas e organizações que realizaram sessões de Comida de Mentira. Os depoimentos mostram a diversidade de públicos que o filme alcançou. Uma professora da Escola Técnica Mesquita destacou o “potencial junto ao público jovem”, enquanto, na Creche da UFBA, a exibição reuniu professoras, nutricionistas, psicólogas, assistentes sociais e equipe de limpeza. Em Vitória, uma sessão organizada pela Rede Urbana Capixaba de Agroecologia reuniu mais de dez movimentos sociais.
Os relatos também mostram como o filme tem sido usado para estimular conversas e atividades. Para uma professora do curso de Nutrição da UFRB, o documentário foi “potente para mobilizar reflexões, suscitar questionamentos e promover discussões relevantes”. Em diferentes lugares, o filme ganhou novos usos e encontrou públicos que passaram a discutir alimentação, saúde, e políticas públicas a partir da sessão.
O documentário Comida de Mentira já percorreu um longo caminho. E, quando um filme continua sendo procurado mesmo depois do fim de uma campanha, talvez seja sinal de que a história ainda não terminou. Pode ser que uma novidade esteja mais perto do que parece. Aguardem as cenas dos próximos capítulos, e isso não é mentira.