A maioria da população brasileira continua a apoiar o aumento da tributação para produtos que fazem mal à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes, incluídos na reforma tributária com a incidência de imposto seletivo. Apesar dos ultraprocessados não estarem na previsão de alíquota mais alta na reforma, a maior parte da população concorda que deveriam ser sobretaxados. Os dados são de pesquisa Datafolha encomendada pela ACT Promoção da Saúde, feita em setembro em todo o país, com 2.002 entrevistas entre a população maior de 18 anos. 

O levantamento mostra que 82% dos entrevistados concordam que os impostos devem ser mais altos para cigarros e produtos de tabaco, e 79% apoiam a medida para bebidas alcoólicas. Para 67% dos entrevistados, refrigerantes devem ser sobretaxados, e para 66%, isso deveria acontecer com todas as bebidas adoçadas. Já 64% concordam com aumento de impostos sobre ultraprocessados. Para 72% dos entrevistados, essas bebidas não deveriam receber benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. 

A população também se mostrou favorável ao aumento de impostos para apostas esportivas (77%), produtos com alta emissão de carbono (77%) e armas e munições (77%). Agrotóxicos são citados por 74%, e embalagens plásticas por 63%.

Quando a pesquisa Datafolha aborda o tema tabagismo, mostrando que os cigarros estão com preços acessíveis, em especial para jovens e pessoas de baixa renda, 74% dos entrevistados declaram apoio a um aumento anual de impostos sobre cigarros para desestimular seu consumo.

Já 78% concordam com o pagamento ao SUS, por parte das empresas fabricantes de cigarros, pelo tratamento de doenças provocadas pelo tabagismo.

A população também apoia a proibição de aditivos de sabores e aromas em produtos de tabaco, com 68% de aprovação, e a de dispositivos eletrônicos para fumar, como os cigarros eletrônicos, com 79%.

Na área do controle do álcool, 91% dos entrevistados são favoráveis à advertência sobre os malefícios à saúde, seguindo o exemplo dos maços de cigarro; e 69% concordam, também, que deve haver restrição para propaganda de cerveja na TV, em redes sociais e em eventos esportivos e culturais. Em relação à cerveja sem álcool, 73% concordam que sua publicidade pode promover o consumo de cerveja com álcool. O jornal Folha de S. Paulo destacou o fato.

A pesquisa Datafolha também pediu a opinião da população sobre os ultraprocessados. Para 72%, esses produtos não devem ser vendidos em cantinas escolares, e sua publicidade deveria ser proibida para 61%.