O conceito de Prevenção 360º propõe uma mudança de paradigma no Brasil, onde 74% das mortes são causadas por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) que poderiam ser evitadas por meio do controle de fatores de risco. Esta abordagem integrada foca no enfrentamento do tabagismo, consumo de álcool, alimentação inadequada, inatividade física e poluição do ar, reconhecendo a interconexão vital entre a saúde humana e o meio ambiente.

Ao priorizar a prevenção na agenda pública, a estratégia busca fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a sobrecarga financeira e operacional dos serviços públicos. Segundo Marília Albiero, gerente de inovação da ACT Promoção da Saúde e responsável pelo Projeto Prevenção 360º — realizado em parceria com a Umane —, o cenário atual ainda é de fragmentação. “A prevenção de DCNTs enfrenta desafios estruturais, marcada por ações isoladas e campanhas pontuais que não geram mudanças sustentadas de comportamento. Frequentemente, associa-se a saúde apenas à responsabilidade individual, ignorando-se os determinantes sociais e comerciais que induzem ao consumo de produtos nocivos. Além disso, a baixa articulação entre diferentes setores enfraquece estratégias que deveriam integrar a saúde humana à do planeta”, informa. 

Para superar esse cenário, é urgente adotar um modelo sistêmico e intersetorial que contemple fontes inovadoras de financiamento, como a implementação de impostos seletivos sobre produtos nocivos à saúde e à natureza. Para fomentar esse debate, a ACT e a Umane promoverão uma série de estudos e ações de comunicação, incluindo campanhas digitais e relacionamento com a imprensa, visando sensibilizar a sociedade e subsidiar decisões com dados científicos e econômicos.

“Ambientes saudáveis promovem escolhas saudáveis”

O objetivo central é promover ambientes que favoreçam escolhas benéficas, garantindo que a prevenção deixe de ser uma teoria isolada para se tornar uma prática equitativa em todo o território nacional, como exemplo:

– Aumento de preços e impostos para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente;
– Restrição ou proibição da propaganda, inclusive em meios digitais;
– Adoção ou atualização periódica de advertências sanitárias em produtos nocivos;
– Medidas para reduzir a disponibilidade, especialmente nas proximidades de escolas e em ambientes com crianças e adolescentes.

É necessário conectar os compromissos da agenda global à realidade local, mobilizando governo, sociedade civil e setor privado para garantir uma promoção da saúde de maneira integrada e livre de interferências de interesses comerciais indevidos. Conheça mais sobre a campanha Prevenção 360º.