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Só 9% dos brasileiros acham que fumar é sexy (24/9/2007)
Fabiana Fregona

Fonte: Folha de S.Paulo - 24/09/2007

Pesquisa Datafolha mostra ainda que 83% aprovam campanhas contra o cigarro

Resultado do levantamento indica que imagem criada pela publicidade e pelo cinema perdeu influência entre o público do país

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma vez na vida, pelo menos, Hollywood perdeu. A imagem sexy do cigarro, construída pelo cinema e pela publicidade por mais de 50 anos, foi para o ralo no Brasil. Pesquisa feita pelo Datafolha revela que só 9% dos brasileiros consideram sexy o ato de fumar. Os que discordam dessa imagem somam 85%, e 6% não têm opinião.
O levantamento do Datafolha entrevistou 2.771 pessoas a partir de 16 anos em 164 municípios do país nos dias 14 e 15 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A própria pesquisa do Datafolha traz pistas sobre as razões pelas quais o cigarro deixou de ser sexy. As campanhas contra o fumo são aprovadas por 83% dos entrevistados. Só 12% consideram as peças "exageradas, mostrando os males causados pelo consumo de cigarros de maneira sensacionalista".
O maior índice de aprovação à contrapropaganda ocorre entre os jovens: 88% dos que têm 16 e 17 anos consideram as campanhas "adequadas, mostrando o que o consumo de cigarro causa, sem esconder nada", segundo o Datafolha.
A maior reprovação às campanhas vem dos fumantes que nunca tentaram parar de fumar (19%). Uma das maiores taxas de aprovação ocorre entre aqueles que nunca fumaram -85% consideram as peças "adequadas".
Não há uma relação direta entre nível de escolaridade e aprovação à contrapropaganda. Entre os que têm ensino médio, a taxa é de 87%. Já entre os que passaram por ensino superior, esse índice cai dez pontos percentuais (77%).
Foram as fotos chocantes nos maços e campanhas contra o cigarro na TV que mudaram a imagem do cigarro, segundo Paula Johns, diretora da ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), uma organização que reúne 40 entidades que atuam no combate ao fumo. "Acho que os pulmões pretos nos maços e a mensagem de que cigarro causa impotência ajudaram a quebrar o fetiche sexual do cigarro", diz ela.

Desinformação
Para quem acha que o Brasil virou uma Suécia em grau de informação sobre fumo, é melhor deixar de lado o ufanismo. Praticamente um quinto dos entrevistados (19%), segundo o Datafolha, discorda da seguinte frase: "Fumar cigarros causa impotência sexual" -os que concordam são 59%.
Há outros indicadores do desconhecimento sobre os efeitos do cigarro na saúde, principalmente no que se refere à dependência. A maioria dos entrevistados (52%) concorda com a idéia de que "fumantes podem parar de fumar quando quiserem".
Há mais de 20 anos as pesquisas científicas mostram que a dependência do cigarro é tão severa quanto o vício em cocaína ou heroína.
Especialistas em drogas combatem a idéia de que parar de fumar depende de força de vontade porque a dependência não é uma questão moral. O fumante pode ser tratado como qualquer outro dependente, segundo as diretrizes do Inca (Instituto Nacional de Câncer).
Em contraste com a opinião dominante de que fumantes podem parar quando quiserem, 94% dos entrevistados concordam com a frase "fumar cigarros causa dependência".
O índice é similar aos que dizem acreditar que "fumar cigarro mata". Concordam com essa frase 93%.
Há mais paradoxos aparentes na pesquisa. Quase a metade dos entrevistados (46%) acha que fumar cigarro relaxa. Praticamente um terço (34%) diz concordar com a idéia de que fumar dá prazer.

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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