Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

DF deve fechar o ano com 270 novos casos de câncer de pulmão (27/11/2006)
Paula Johns

Do CorreioWeb

27/11/2006
12h09
-Está lá no verso dos maços de cigarros: “O Ministério da Saúde adverte: fumar causa câncer de pulmão”. Mas nem a orientação nem mesmo a imagem dos dois pulmões enegrecidos amedrontam o administrador Alan Balby, 28 anos, fumante desde os 15. “Para mim não influencia muito, não. Sei das conseqüências do cigarro, mas continuo fumando”, diz Balby, que, em média, consome um maço por dia. Como a maioria dos que fumam, ele já tentou parar duas vezes. Mas o vício não deixou.

O cigarro é “culpado” por 30% das mortes por câncer em todo o mundo. Quando se fala em câncer de pulmão, essa porcentagem sobe para 90. Novembro é o mês mundial de conscientização do câncer de pulmão. Apesar de não ser o tipo mais freqüente, é o que mais mata e, por isso, o que mais tem preocupado os especialistas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todo ano surge 1,2 milhão de novos casos no mundo. Para se ter idéia da alta incidência da doença, a cada 30 segundos morre uma pessoa vítima de câncer de pulmão.

No Distrito Federal, a Coordenadoria do Câncer da Secretaria de Saúde estima 270 novos casos neste ano – 180 em homens e 90 em mulheres. O órgão, no entanto, não divulgou as estatísticas referentes ao número atual de doentes e de mortes ocasionadas pela doença.

Entre esta segunda-feira, 27 de novembro, e 2 de dezembro, é realizada a 1ª Semana de Combate ao Câncer, com diversas palestras voltadas para profissionais da área de saúde e para a população. As atividades acontecem nos hospitais regionais da Asa Norte (Hran) e de Taguatinga (HRT), no Hospital de Base do DF (HBDF) e na sede do Sindicato dos Médicos.

A iniciativa é mais uma forma de pôr em pauta a evolução dos cânceres, entre eles o de pulmão. “Um dos nossos desafios em relação a esse tipo de câncer é fazer com que o jovem não queira aprender a fumar. Porque se ele aprende fica difícil ensiná-lo a desaprender”, comenta o gerente de prevenção e coordenador de tabagismo da Secretaria, Celso Antônio Rodrigues da Silva.

Alerta
Quem fuma está cansado de ser advertido quanto aos malefícios do hábito. Mas não tem outro jeito. “A melhor maneira de prevenir é parar de fumar ou nunca começar”, resume a presidente da Associação Brasileira do Câncer (ABCâncer), Vitória Herzberg. O câncer de pulmão é silencioso. Quando descoberto, costuma já estar num estágio bem avançado e praticamente incurável. Os sintomas da doença se confundem com aqueles considerados normais por quem fuma: tosse, chiado, ronco, dor no tórax, falta de ar e pneumonite (inflamação no interior do tecido pulmonar).

Toda semana, pretendentes a parar de fumar se reúnem no Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde desde 2001 funciona um programa de controle ao tabagismo recomendado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde. Além da terapia comportamental, qualquer pessoa pode ter acesso a orientações quanto ao uso dos medicamentos que auxiliam no combate. Nesses seis anos de atuação, o programa já atendeu mais de 1,2 mil fumantes. Cerca de 50% deles conseguiram largar o vício.

Uma das coordenadoras do programa, a assistente social Raquel Godoy, conta que as recaídas são comuns na luta contra o tabaco. “Existe dependência química e psicológica. Ouvimos nos depoimentos que o cigarro é um companheiro”, diz. “O cigarro mascara as emoções, mas é uma droga, um estigma social”, completa. O fumante que recorre ao programa participa inicialmente de quatro sessões. Para isso, é preciso agendar horário com antecedência pelo telefone (61) 3448-5280.

Riscos
O Inca estima 27 mil novos casos de câncer de pulmão no Brasil, em 2006. No Rio Grande do Sul, onde está instalada a indústria do tabaco e a incidência é a maior do país, são estimados 53 novos casos para cada 100 mil homens e, no caso das mulheres, 21 novos casos, na mesma proporção. No DF, esses números caem para 16 e oito, respectivamente. “É uma verdadeira epidemia. Sem dúvida, a doença que mais cresce no mundo”, alerta o chefe do serviço de cirurgia torácica do Inca e professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF), Paulo de Biasi.

Nos próximos 15 anos, a estimativa é de que o número de casos de câncer de pulmão triplique. Em homens, os cânceres de pulmão, traquéia e brônquio já são, segundo o Inca, os que mais matam. Em mulheres, apenas o câncer de mama mata mais. O discurso defensivo de muitos fumantes é o de que há diversos casos em que a pessoa fuma a vida inteira e não desenvolve a doença. “Não desenvolveram porque tiveram sorte. Mas pode ter certeza que sofreram com outras doenças provocadas pelo cigarro e perderam muito em qualidade de vida”, pondera Biasi.

Os efeitos maléficos do cigarro são acumulativos. Quanto mais cedo a pessoa começa a fumar, maiores são as chances de ela desenvolver o câncer. No entanto, mesmo quem fuma há anos ganha com a opção de parar de fumar. Ricardo Martins, do serviço de pneumatologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), afirma que a prevenção e o diagnóstico precoce são as principais armas para combater a doença. “A nossa angústia é em relação ao diagnóstico tardio. Em alguns casos, a situação está tão agravada que já não se tem o que fazer”, comenta Martins.

O tabagismo já é encarado como uma doença pediátrica. Estudos apontam que as crianças têm começado a fumar entre 10 e 13 anos. Os médicos acreditam que a melhor forma de prevenção é a implantação de mais programas educacionais que apresentem logo cedo às crianças e aos adolescentes os malefícios do tabagismo. Outro ponto é investir para que seja banido da mídia tudo que associe o cigarro ao bem-estar e à felicidade.

Outras formas de se desenvolver câncer de pulmão é o contato com radiação e poluição ambiental em excesso. A maneira mais fácil de se diagnosticá-lo é por meio de um simples raio-X da região torácica. Atualmente, existem tratamentos inovadores, como a terapia anti-neoplásica oral, que ajuda a melhorar a qualidade de vida do paciente.
 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2