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Cigarro na empresa: a polêmica continua acesa (16/12/2008)
Pequenas Empresas Grandes Negócios

http://empresas.globo.com/Empresasenegocios/0,19125,ERA1692960-2992,00.html

Cigarro na empresa: a polêmica continua acesa

Ter uma política clara em relação aos fumantes influi na imagem e na produtividade do seu negócio

Juliana Belda


O debate sobre a restrição ao fumo no Brasil ganha cada vez mais força. Mais do que se ajustar à lei de restrição ao fumo de 1996, as empresas estão descobrindo que criar uma política interna sobre o assunto pode contribuir para a produtividade do negócio, além de contar pontos (a favor ou contra) na imagem transmitida ao público externo. Pesquisa realizada pelo Grupo Catho mostrou que funcionários fumantes acendem em média oito cigarros por dia. As saídas do escritório podem roubar tempo considerável do trabalho. Talvez por esse motivo o levantamento traga outro dado revelador: 81% dos 4.100 selecionadores de pessoal entrevistados preferem candidatos que não fumem. "Está cada vez mais claro no mundo empresarial que quem não fuma rende mais", diz a psicóloga Silvia Cury Ismael, do programa de controle do fumo do Hospital do Coração, de São Paulo.

Pode ser tentador negar a admissão de fumantes ou, em casos mais graves, até mesmo demiti-los. Má idéia: você não só corre o risco de perder bons funcionários como vir a enfrentar a Justiça. "As empresas que tomam essa atitude podem ser processadas por ato discriminatório", alerta a advogada da Aliança de Controle do Tabagismo, Adriana Pereira de Carvalho.

LIBERDADE DE ESCOLHA
Antes de definir suas normas em relação ao cigarro, é importante também considerar que fumar não é proibido e as pessoas têm livre arbítrio sobre a sua saúde. Dependentes de nicotina costumam se sentir mais relaxados depois de fumar. Ponderar todos esses fatores e buscar adequá-los às necessidades de cada área de atuação é prática comum nas grandes empresas e instituições. As pequenas seguem em busca de modelos que vão da permissividade à proibição.

Ao definir a política em relação ao fumo, algumas companhias dão prioridade ao direito dos empregados de optar pelos próprios hábitos. É o caso da Mãe Terra, empresa de alimentos naturais, que permite o fumo a qualquer hora e em locais abertos de suas dependências. "Nós buscamos instruir nossos funcionários para que tenham um estilo de vida saudável, mas a liberdade de escolha é fundamental", diz Frederico Plass Rizzo, gerente de suprimentos da empresa. No escritório de advocacia Carvalho Monteiro e Clemente, a liberdade é ainda maior: o cigarro é liberado também nos ambientes internos, desde que perto das janelas e sem a presença de não-fumantes ao redor. "Coibir o fumo no local de trabalho pode gerar muita ansiedade e atrapalhar o desempenho do funcionário", afirma uma das sócias, Izildinha Carvalho Monteiro. "Além disso, não restrinjo o cigarro por uma razão simples: as duas sócias do escritório são fumantes. Seria incompatível com a nossa imagem", complementa.

 

TEOR REDUZIDO
O uso de qualquer produto derivado do tabaco em recintos fechados é proibido. A exceção são os fumódromos. Ainda assim, mesmo as salas exclusivamente destinadas ao fumo estão em desuso. "As áreas para fumantes não são eficazes, pois não há sistema de ventilação efetivo contra o cigarro", diz a psicóloga Silvia Ismael, do Hospital do Coração. Mais e mais empresas vêm transferindo o fumódromo para áreas externas. Nesse caso, o ideal é instalá-lo a pelo menos quinze metros de distância de portas e janelas, recomenda Silvia.

Proibir as baforadas nos espaços internos pode resolver o problema de qualidade do ar. Mas nem sempre é solução para a perda de tempo do trabalho de funcionários fumantes. Por isso, algumas empresas proíbem saídas para fumar durante o expediente. A medida é mais freqüente em setores como o de vendas. Mas a advogada Adriana Pereira de Carvalho ressalta que o empregador é obrigado a dar uma hora de almoço aos empregados - período em que é permitido fumar. "Nos outros intervalos deve haver um acordo entre as partes", diz.

SEM FUMAÇA
Quando a lei obrigou os estabelecimentos a destinar áreas exclusivas para fumantes e não-fumantes, Erik César Momo, sócio da Pizzaria 1900, reorganizou todo o espaço para obedecê-la. Aos poucos, contudo, ele se deu conta de como estava perdendo clientes, uma vez que a lotação das mesas ficava limitada pelas categorias. "Havia fila de espera mesmo com mesas livres e parte da pizzaria ficava com sua capacidade ociosa. Por isso ele decidiu radicalizar e proibir o cigarro. Ele afirma que a medida deu bons resultados. "O movimento permaneceu estável e ficou muito mais fácil trabalhar", diz. A política que vale para os clientes é igualmente severa para funcionários e fornecedores, proibidos de fumar em qualquer uma das dependências.

Mas não é fácil - nem recomendável - obrigar alguém a abandonar o fumo. Dona de uma política-modelo para o tema, válida em todo o mundo, a Johnson & Johnson começou a restringir o cigarro gradualmente. O primeiro passo, em 2005, foi comunicar aos funcionários que o tabaco estaria proibido a partir de 2007. Daí em diante, a empresa concentrou esforços na divulgação dos problemas causados pelo vício. Passou também a oferecer assistência médica e psicológica aos interessados. Cerca de 400 pessoas já participaram do tratamento. Em busca de melhores resultados, as consultas são estendidas a familiares. "É difícil parar de fumar quando existe outro fumante em casa", afirma Izabel Rivas, psicóloga da empresa. No caso da Johnson, pesou na decisão a coerência com a imagem de uma multinacional que fabrica produtos relacionados à saúde. "Uma companhia que promove o bem-estar dos consumidores também deve fazer isso com seus funcionários", diz Izabel.

PASSO A PASSO
Se você deseja tornar sua empresa um ambiente 100% livre do tabaco, conheça alguns passos sugeridos pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT):
>> Eleja um gerente respeitado por todos para implementar a política de ambiente 100% livre do fumo
>> Forme um grupo de trabalho composto por diversas áreas para coordenar e implementar o projeto
>> Reúna informações fazendo pesquisas sobre o nível de tabagismo dos funcionários da sua empresa e as utilize para conduzir a estratégia da nova política
>> Anuncie previamente o programa e o cronograma de implementação para os funcionários
>> Mostre as razões da medida e seus futuros benefícios por meio de um plano de comunicação
>> Prepare-se para as mudanças físicas: remoção de cinzeiros e eliminação dos fumódromos
>> Busque feedback dos funcionários
*Fonte: Manual para Ambientes de Trabalho Livre do Fumo. Para acessar o conteúdo integral consulte o site www.globo.com/pegn

 

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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