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Paulistano vive últimos dias do "fumacê" (2/8/2009)
Revista da Folha

Às vésperas da entrada em vigor da nova lei, no próximo dia 7, paulistanos se esforçam para se acostumar com a proibição

Fiscais caça-fumaças fazem blitze e rondas pela cidade para orientar donos de bares e clientes, que ainda têm dúvidas sobre o assunto
ANA PAULA BONI
FERNANDO MASINI
DA REVISTA DA FOLHA
A lei pegou. Pelo menos é o que se observa ao percorrer bares e restaurantes de São Paulo às vésperas da entrada em vigor da nova lei antifumo.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 84% dos estabelecimentos já aderiram.
Como essa imensa maioria se antecipou à proibição do cigarro em lugares fechados a partir do próximo dia 7, sobraram poucos redutos para os fumantes se despedirem do velho e polêmico hábito.
A Folha percorreu alguns bares e restaurantes paulistanos para registrar os últimos dias do "fumacê".
Nas mesas, entre uma tragada e outra, ouvimos os principais afetados pela medida que tem por objetivo proteger a saúde de todos. Por esse motivo, eles defendem a lei. No entanto, entre largar o vício e abandonar o bar favorito, eles ficam com a segunda opção.
"Não irei mais a bares porque não vou deixar de fumar agora. Vou fazer festa em casa", diz Camila Berrini, 31, designer, que, na noite da última terça-feira, dava algumas de suas últimas baforadas públicas no bar Filial, na Vila Madalena. Ela já tentou parar de fumar, mas desistiu da empreitada por ora. Enquanto isso, consome um maço de cigarro por dia.
Na mesa do tradicional reduto de fumantes, Camila está acompanhada de duas amigas. Uma delas acha que sua rotina boêmia não será afetada com a vigência da lei. "Eu quero mesmo parar de fumar", diz Tatiana Araújo, 32, publicitária. Agora só está esperando a lei entrar em vigor para poder sair de casa sem cair em tentação.
Para o médico Drauzio Varella, garoto-propaganda da campanha do governo de São Paulo, todo o estranhamento e toda a polêmica logo vão ser coisa do passado.

Caça-fumaças
Os fiscais da lei antifumo ainda estão tímidos, apesar das rondas há um mês. A recomendação até o dia 7 é orientar os donos e clientes.
A Folha acompanhou uma blitz noturna que durou seis horas, quando um grupo de três agentes saiu do Centro de Vigilância Sanitária para percorrer pontos no Itaim Bibi (zona oeste de São Paulo).
A visita é parte de uma rotina que se repete desde o início de julho. São no total 500 fiscais, os caça-fumaças, espalhados pela capital e pelo interior. Já foram visitados cerca de 20 mil estabelecimentos. A ação serve como treino dos profissionais que serão responsáveis por aplicar multas a quem permitir o fumo em locais fechados.
O diretor de meio ambiente da Vigilância, Sérgio Valentim, 47, conta que a recepção tem sido amistosa.
Antes de entrar no carro, ele ajeita o colete cinza com o slogan da campanha: "Ambientes saudáveis e livres do tabaco". A prancheta serve para coletar informações dos pontos comerciais. A maleta laranja, na outra mão, brilha no escuro e guarda aparelhos usados para medir a fumaça no ambiente.

Exaltado
A brigada antifumo ainda parece insegura na abordagem aos clientes. Apesar da boa recepção, os paulistanos demonstram ainda ter muitas dúvidas.
Em três meses de atividade preparatória, os técnicos relatam casos de fumantes mais exaltados. Um homem saiu na rua para ofender os fiscais.
Ele acendeu um cigarro, começou a dançar na frente deles e gritou para que eles parassem de perturbar.
 

O ator João Miguel, 39, diz ter prazer em fumar, apesar de reconhecer que o hábito faz mal. Leia trechos de seu depoimento.

Eu fumo há cinco ou seis anos. Não me faz bem, mas tenho prazer. Estou na guerra para parar. Hoje fumo três cigarros por dia. Interfere na voz, e preciso dela para trabalhar. Às vezes, estou pilhado demais e desconto no cigarro.
Acho importante a lei antifumo, mas cria-se uma ditadura contra o fumante. Receio que a lei crie uma verdade de que o fumante não é legal. O mundo já está muito intolerante. Não concordo com a imposição de que fumar é uma merda.
O ser humano acaba se adaptando a todo tipo de imposição. A lei revela a dicotomia do desespero do mundo atual em incentivar a saúde, mas no meio de uma doença total.

 

 
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