Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Industria do tabaco sofre restrições (14/11/2009)
Jornal do Brasil

Raphael Zarko, Jornal do Brasil
RIO - Maior exportador do mundo e segundo maior produtor, atrás somente da China, a indústria do cigarro no Brasil já amarga dois meses de queda na produção industrial e conseqüente desemprego na indústria. Em números gerais, desde 2007, o Brasil vem produzindo menos no setor ano a ano. Até o fim de setembro foram colocados no mercado mais de 3,5 bilhões de maços de cigarros com 20 unidades, ante quase 5,5 bilhões em todo o ano passado.

Há vários incentivos contrários ao fumo. O governo aumentou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 23,5%, e o PIS/COFINS (Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social), 72,5% em julho. E a lei antifumo, que trouxe regras mais rígidas, proibindo o fumo em ambientes fechados e acabando com os “fumódromos” em locais de trabalho, entrou em vigor em São Paulo desde 7 de agosto e passa a valer dentro de três dias no Rio de Janeiro. O resultado foi a redução da arrecadação nos dois estados, com destaque para a queda em São Paulo: de R$ 69 milhões recolhidos pelo governo em janeiro foram contabilizados pouco mais de R$ 3 milhões em setembro, segundo a Receita Federal, que ressalva ter havido uma mudança no prazo de apuração e recolhimento do IPI do fumo.

Entre as produtoras, houve queda nas vendas, mas o crescimento se manteve. A maior delas, com mais de 60% de participação no setor no país, comercializou 36,9 bilhões de unidades de cigarro no primeiro semestre deste ano, número 3,2% inferior ao mesmo período do ano passado, mas manteve crescimento (lucro líquido R$ 922 milhões no primeiro semestre).

Para Edno Oliveira dos Santos, consultor do Instituto de Estudos Financeiros (IEF), a queda no consumo do cigarro, com medidas como elevação de impostos e leis restritivas, não tiram o total da arrecadação de impostos do governo federal (se em janeiro o valor era de pouco mais de R$ 240 milhões, em setembro passou de R$ 280 milhões), mas vai pesar diretamente no bolso do consumidor:
– Medidas de cerceamento sempre causam alguma queda. A pessoa evitar fumar naquela hora, e depois não fuma. Por ser ligado ao vício, o preço tem pouco efeito.

Com dados referentes à indústria do setor (cigarro, cilindro para fumo e fumo processado) até setembro deste ano, Isabella Nunes, economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera difícil definir se a queda na produção se tornou ainda maior somando o período sazonal com o efeito da lei antifumo numa das maiores metrópoles do mundo.

– Um indicador demora um pouco para manifestar diferença, mas vemos que no mês seguinte à lei tivemos maior queda na produção na comparação com agosto. Em relação a setembro de 2008, caiu 12,2%. Acredito que 90% desse resultado esteja ligado ao cigarro, pois o fumo tem um viés exportador.

No setor de fumo, o IBGE consolida apenas indicadores de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estados com maior concentração da produção. Em ambos há queda considerável de produtividade em setembro, ante mesmo mês de 2008: 16,2% no RS, e 6,6% em MG. Nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de demissões chegou a 6.220 no Rio Grande do Sul.

Aumenta procura por tratamento e remédios

“Nos últimos três anos cresceu bastante a procura para largar o cigarro. Esse ano então, houve aumento de 15% a 20%, é um movimento substancial”. O depoimento é do médico e pesquisador do hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Alberto José de Araújo. Segundo ele, que também é membro da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), um bom “termômetro” é a quantidade de pessoas que escrevem e-mail, ligam e procuram o laboratório do hospital do Fundão, localizado na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro.

– Em geral as pessoas procuram o tratamento depois que começa o ano, como forma de pagar promessa, mas vejo que pouco antes da lei começar, três meses depois de promulgada, aqueles que já estavam balançados a parar estão se antecipando.

Para Araújo, a coisa que “eles” - como chama a indústria do cigarro – mais temem é um ambiente livre de tabaco. E cita um estudo da Universidade da Califórnia mostrando que com leis como essa a ser adotada no Rio, os trabalhadores deixam de fumar até 30% o número de cigarros consumidos.

Uma das empresas que investem em remédios contra o vício, a GlaxoSmithKline, registrou 39% mais vendas do NiQuitin em 2009 .
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) direciona R$ 100 milhões do orçamento para tratamento de fumantes passivos, além de R$ 439,2 milhões do INSS. Cerca de sete pessoas morrem por dia no Brasil por causa do fumo, diz o Inca.

Boates paulistas perdem até 40% de público

Com a lei antifumo funcionando a todo vapor em São Paulo desde o início de agosto, a Secretaria Estadual de Saúde divulgou que durante os últimos três meses foram realizadas, na capital, 31.372 visitas de fiscalização, com 191 autuações, outras 78.825 fiscalizações e 214 autuações no interior. Pesquisas recentes já mostram que as conseqüências no emprego e no movimento de bares, restaurantes e boates, alguns dos ambientes fechados associados ao consumo de cigarro, podem ser ainda maiores. Entre 5 de agosto e 5 de outubro, a Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) verificou queda de 12% no movimento de restaurantes, 18% em bares e 38% em discotecas. Na capital, o número aumenta: houve queda de 40% na freqüência às boates da noite paulistana.

– Em dezembro vamos fechar uma pesquisa de empregos, mas acredito que teremos uma base de 20% de diminuição de postos de trabalho – aposta o diretor Jurídico da Abresi, Marcus Vinicius Rosa.
Para o dirigente, a lei, chegando ao Rio, tem tudo para criar o mesmo efeito do estado vizinho.

– É fácil percebermos que no Rio também vai haver uma queda muito alta, principalmente na Zona Sul, onde tem muito turista.
Segundo Rosa, alguns bares e boates de São Paulo ainda estão se adaptando à nova lei, colocando cercadinhos para os fumantes.

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2