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Políticas públicas funcionaram, mas é preciso avançar, diz médica (28/11/2009)
Folha de S. Paulo

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

A médica Vera Luíza da Costa e Silva, 57, ocupou entre 2001 e 2005 o posto máximo da Organização Mundial da Saúde no combate ao tabagismo. Em entrevista à Folha, ela diz que a queda do percentual de fumantes é resultado de políticas públicas, mas cobra mudanças: defende que o governo federal vete o fumo em ambientes fechados e proíba o comércio de cigarros em locais que vendem comida, como supermercados.

FOLHA - O IBGE aponta que 17,2% da população acima de 15 anos é fumante. Esse índice é bom ou ruim?
VERA LUÍZA COSTA E SILVA - É uma notícia muito boa porque o número de fumantes diminui cerca de 15 milhões. Em 1989, eram cerca de 35%, ou 33 milhões de pessoas. Se nada fosse feito, seriam hoje 40 milhões de fumantes. Mas a pesquisa mostra que são 24,6 milhões.

FOLHA - Dá para atribuir essa queda às políticas públicas?
COSTA E SILVA - Dá. Foram políticas muito destemidas, não tivemos medo de enfrentar a indústria do tabaco e as mentiras que ela dissemina. A indústria dizia que haveria um cenário de caos, com falências e desemprego. Nada disso aconteceu.

FOLHA - Não é uma contradição o país criar uma política eficaz contra o fumo e ter epidemia de dengue?

COSTA E SILVA - Isso é o cenário epidemiológico de um país em desenvolvimento, em que você não dá conta das doenças infecciosas, mas já vive a ascensão das doenças crônicas, não transmissíveis. Não faz sentido atacar só a dengue quando as maiores causas de mortalidade são as doenças cardiovasculares e cânceres. Não existe o conflito que você aponta.

FOLHA - Entre os mais pobres, os fumantes são 25%, ou quase 50% a mais do que a população como um todo. As políticas públicas não chegam a essa população?
COSTA E SILVA - Os pobres fumam mais porque têm menos informação e menos acesso à saúde. Outro fato é que os mais pobres fumam mais cigarros contrabandeados, nos quais não há imagens de advertência sobre as doenças. Por isso há menos pressão contra o fumo entre essas pessoas.

FOLHA - Não deveria haver políticas públicas só para os mais pobres?
COSTA E SILVA - O governo deveria utilizar mais a mídia para atingir os mais pobres, principalmente o rádio. Faltam campanhas específicas. Focar as garotas, que estão fumando mais do que os garotos. Campanhas para todos funcionaram até agora. Chegou a hora de mudar.

FOLHA - O que falta o Brasil fazer?
COSTA E SILVA - O governo federal tem de adotar uma política para o tabagismo passivo, de ambientes livres de fumo. O exemplo de São Paulo mostra que é uma política viável: não traz problemas econômicos e reduz o consumo. Precisa ter também uma política mais clara de impostos e preços. O cigarro é ainda muito barato no Brasil. A pesquisa do IBGE mostra que é preciso educar melhor os profissionais da saúde. Não chega a 60% o índice de fumantes que são aconselhados pelos profissionais de saúde a parar de fumar. É um percentual baixíssimo.

Outro ponto é controlar o contrabando. Está na hora de proibir a venda de cigarro em supermercado, padaria. O país precisa olhar para a sua diversidade e ter políticas para cada região. A partir de agora, a redução será menor e mais difícil.
 

 
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