Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Região Sul apresenta a maior proporção de fumantes do Brasil (1/6/2010)
Zero Hora

http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/donnadc/19,0,2922859,Regiao-Sul-apresenta-a-maior-proporcao-de-fumantes-do-Brasil.html

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pegou como mote o aumento do número das mulheres fumantes e elegeu como tema "Tabaco e gênero". A prevalência de tabagismo entre os homens atingiu o pico, mas as mulheres estão fumando cada vez mais: elas já representam 20% do total de fumantes do planeta, um contingente formado por 1,3 bilhão de pessoas de ambos os sexos. Atualmente, 9,8 milhões de brasileiras são fumantes.

Segundo dados do Manual do Dia Mundial sem Tabaco 2010, divulgado hoje pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a associação mulheres e cigarro implica uma série de problemas. O cigarro já é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos. Aquelas que fumam e tomam pílula, por exemplo, têm dez vezes mais riscos de sofrer ataques cardíacos e embolia pulmonar do que as que não fumam e utilizam a pílula para o controle da natalidade. Além disso, as fumantes têm 22% mais probabilidade de ter um acidente vascular cerebral (AVC).

– Ao escolher o tema Tabaco e Gênero para o ano de 2010, a OMS reafirma o impacto negativo do cigarro para a saúde da mulher - afirma o diretor-Geral do Inca, Luiz Antônio Santini. – É necessário divulgar constantemente os males do tabagismo, inclusive para as mais jovens e em idade fértil, que evitam a gravidez com método contraceptivo hormonal – finaliza.

– Um único cigarro fumado pela gestante aumenta os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular – explica a coordenadora da Divisão de Tabagismo do Inca, Valéria Oliveira.

Outro dado divulgado pelo Inca mostra que o câncer de pulmão já é o segundo tipo de neoplasia que mais mata as mulheres no Brasil, depois dos tumores de mama. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) informam que 7.435 brasileiras morreram em 2008 em decorrência da doença. Em 2000, a taxa de mortalidade decorrente de câncer de pulmão era de 5,97 óbitos a cada cem mil mulheres; em 2007 chegou a 7,15 – um aumento de 20%. Já a taxa de mortalidade entre os homens se mantém no patamar de 16 óbitos a cem mil homens ao longo de todo o período.

Pesquisas feitas no mundo inteiro investigando por que houve aumento do número de mulheres fumantes mostram que há mudanças do dia a dia contemporâneo que geram ansiedade e solidão. O cigarro serve como um alívio. Hoje, grande parte da população feminina do mundo, inclusive no Brasil, responde pelo sustento familiar e enfrenta duplas jornadas de trabalho. Essas pesquisas comprovam que muitas mulheres, vítimas de distúrbios de humor, ansiedade e solidão, encontram alívio no cigarro.

Essa dependência do cigarro ficou expressa na pesquisa do estudo ITC Brasil (International Tobacco Control), que mostra que cerca de 50% das brasileiras entrevistadas afirmaram que seria "muito difícil" ou "extremamente difícil" ficar sem fumar durante um dia inteiro. No Brasil, a região Sul, onde se encontram as indústrias do tabaco, apresenta a maior proporção de fumantes (15,9%).

Cigarro pesa na saúde e no bolso

O gasto com o cigarro também é altíssimo entre as brasileiras, segundo pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008) do IBGE: elas gastam por mês, em média, 12% de um salário mínimo com cigarros industrializados. O cálculo foi feito tendo como base o salário mínimo vigente à época (R$ 415, o equivalente a um quarto da cesta básica do Rio de Janeiro no mesmo período. Esse gasto foi de menos de 10% no Nordeste e chegou a 13,6% no Centro-Oeste.

Segundo o Banco Mundial e o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, tabaco e pobreza formam um ciclo vicioso e representam um entrave ao desenvolvimento sustentável dos países. Os maiores percentuais de fumantes no Brasil, entre ambos os sexos, estão entre a população menos escolarizada (25,7%) e entre as pessoas de menor renda (19,9%), incluída a população que ganha até um quarto de salário mínimo.

Confira os impactos do cigarro para a mulher, segundo o Inca:

:: Jovens fumantes que usam pílula anticoncepcional têm dez vezes mais chance de sofrer ataque cardíaco e embolia pulmonar do que outras da mesma faixa etária que não são fumantes e usam o mesmo medicamento.

:: As fumantes que fazem uso de pílula anticoncepcional apresentam maior risco para doenças do sistema circulatório, aumentando em 39% as chances de doenças coronarianas e em 22% de acidentes vasculares cerebrais.

:: Mulheres fumantes que não usam pílula anticoncepcional têm a taxa de fertilidade reduzida em 18% em razão do efeito causado pelas taxas de concentração de nicotina no ovário.

:: Mulheres que fumam antes da gravidez têm duas vezes mais probabilidade de ter um atraso no processo da concepção e têm 30% mais chances de infertilidade.

:: Fumar durante a gravidez compromete a saúde do bebê. O cigarro pode causar abortos espontâneos, nascimentos prematuros. Mortes fetais, complicações com a placenta e sangramentos ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida é fumante.

:: A gestante fumante pode apresentar mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida não-fumante. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos que o monóxido de carbono e a nicotina exercem sobre o feto.

:: Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular.

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2