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Grécia se transforma em refúgio para fumantes na União Européia (5/1/2006)
ACTBR

Data: 03/01/2006 - 17h42
Fonte: UOL - Agencia de Noticias AFP

ATENAS, 3 jan (AFP) - Um farmacêutico atende sua clientela com uma piteira pendurada nos lábios, avós degustam seus cigarros em um salão de chá, o taxista fuma em seu carro com todos os vidros levantados. Bem-vindos à Grécia, o paraíso dos fumantes numa União Européia (UE) que declarou guerra ao tabaco.

"Os não-fumantes consideram com razão que este país não pensa muito neles. As leis contra o tabaco existem, mas não se aplicam e ninguém se atreve a punir os que as ignoram", critica John Kosdouros, encarregado da Liga Antitabagista grega.

Segunda produtora de tabaco da Europa, a Grécia é também a maior consumidora da UE, com cerca de 45% de fumantes, sem distinção de sexo: cerca da metade dos homens fumam mais de 18 cigarros por dia e cerca de 40% das mulheres, mais de 15.

Lá, mais que em outros lugares, a proibição ao fumo em locais públicos ou empresas (fora dos espaços previstos), em vigor desde 2002 e 2003, respectivamente, parecem palavras ao vento.

"No banco, nas lojas, em qualquer local público, as pessoas fumam. Nos restaurantes, quando há uma mesa para não-fumantes, ela fica em meio a mesas de fumantes. Só nos transportes públicos, curiosamente, a regra acaba sendo obedecida", contou John Kosdouros.

A situação não é muito melhor no serviço público.

Markos, um tabagista inveterado de 47 anos que prefere manter em sigilo o seu sobrenome, trabalha em um ministério "onde ninguém respeita a proibição". "Todos os dias uma colega abstêmia faz escândalo e ameaça chamar os serviços de saúde, mas não tenho medo: nossos diretores fumam", conta.

No entanto, agora, até mesmo no paraíso dos fumantes, parece surgir uma tímida tomada de consciência entre a população, avalia Maria Pilali, encarregada de um programa europeu na Liga grega contra o câncer.

"É verdade que se comparados com os passos dados na Irlanda e na Itália, estamos muito atrasados. Mas na Grécia, a situação evoluiu em relação há alguns

anos: cada vez se pensa menos que um adolescente precisa fumar para ser um homem completo", conta.

Outro indício de uma suave evolução é o interesse crescente que as campanhas de informações relacionadas com os danos causados pelo tabaco despertam.

"É muito simples: há alguns anos, quando convocávamos uma coletiva, os jornalistas não apareciam, agora sim", continua Maria Pilali.

Mas, um endurecimento da legislação antitabagista, como aconteceu na Espanha, não poderia contribuir para a redução do consumo?

"Os gregos não apreciam muito que lhes imponham regras, aqui vale mais jogar com a consciência, repetir exaustivamente que o tabaco é muito perigoso", avalia.

No entanto, assim como em outros países da Europa, a proibição pode ser eficaz.

Aproveitando uma mudança, em julho de 2004, a sede do grupo de imprensa Lambrakis (com mil pessoas) passou a ser inteiramente não fumante.

"Aconteceu sem contratempos. Cada andar tem uma salinha para fumantes e poucas vezes há mais de três pessoas lá dentro", conta Romolo Gandolfo, encarregado das relações internacionais do grupo.

No entanto, este caso é tão raro na Grécia que quase tem valor de exceção. (Por Raphaël Hermano)

 
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