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FATURAMENTO DE CASAS NOTURNAS, BARES E RESTAURANTES CRESCEU 15% NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS NA CAPITAL (15/4/2012)
Revista São Paulo, Folha de S. Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp1504201209.htm

Comentário da ACT:

O setor de hospitalidade previu um cenário de quebra de estabelecimentos caso a lei antifumo fosse aprovada. Pela matéria abaixo, percebe-se que era mais um dos mitos criados pelos aliados da indústria do tabaco para impedir ou atrasar avanços na política de controle do tabaco.
 

FATURAMENTO DE CASAS NOTURNAS, BARES E RESTAURANTES CRESCEU 15% NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS NA CAPITAL

LETICIA RODRIGUES

Três vezes por semana, o nutricionista Lucas Ferraz, 24, se dedica a um ritual. Começa a noite em algum restaurante ou lanchonete e estica em uma casa noturna. Em vez da pista de dança lotada, ele segue com a namorada e os amigos para um camarote. Prefere bebericar tranquilamente enquanto observa o movimento. 

As rondas de Lucas consomem até 30% de seu salário -ele já chegou a gastar R$ 1.000 em uma única noite com a namorada. "Em São Paulo, tem coisa para fazer toda noite. Você pode sair todos os dias da semana e não repetir o programa", diz. 

Lucas não é um tipo incomum numa cidade cujo faturamento de restaurantes, bares e casas noturnas cresceu cerca de 15% nos últimos dois anos. No Estado de São Paulo, esse montante subiu até mais, de aproximadamente R$ 37,5 milhões, em 2009, para R$ 46 milhões no ano passado, segundo estimativa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

A tendência é que essa febre continue. "A cada ano esses números aumentam, acompanhando o crescimento do país", diz Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da entidade. 

Com isso, São Paulo já é a segunda cidade do mundo com o maior número de estabelecimentos do gênero. Perde para Nova York. Aqui, são cerca de 13 mil restaurantes, 15 mil bares e 2.000 casas noturnas. 

De fato, quem circula pela Vila Madalena, Consolação e outras regiões boêmias já notou: as opções de baladas, bares e restaurantes não param de crescer, turbinadas pelo bom momento econômico do país e pela vocação natural para a gastronomia.

Fundado há cinco anos, o grupo Clash é exemplo dessa expansão. Começou com a casa noturna de mesmo nome, na Barra Funda -um investimento de R$ 1 milhão, que faturou R$ 3 milhões no primeiro ano de funcionamento. 

Desde então, o grupo acrescentou três casas à cartela de negócios: o clube Lab (aberto há um ano e meio na região da Augusta), o restaurante espanhol Donostia (em atividade desde meados do ano passado, em Pinheiros) e uma lanchonete na Augusta. Somados os lucros com o serviço de "catering" e o aluguel dos espaços para eventos, o resultado foi um faturamento de R$ 11 milhões no ano passado. "Estamos sempre pensando em novos negócios, em formas de diversificar o investimento", diz Bruno Ferraro, diretor financeiro do grupo. 

Custos altos
Mesmo com indicadores positivos, a Abrasel reclama de falta de incentivos. "Temos os custos mais altos do país. Aluguel e folha de pagamento são mais caros aqui do que em qualquer outra cidade brasileira", queixa-se Joaquim Saraiva. 

O professor de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) Samy Dana vai além. "São Paulo chegou a patamares de custo semelhantes a metrópoles como Nova York, Paris e Londres", observa. "Mas temos algumas vantagens. A cidade é muito grande, com vários nichos de preços e público para os mais diferentes tipos de empreendimentos. As pessoas fazem grandes deslocamentos de casa para o trabalho e, no caminho, aproveitam para fazer uma happy hour ou para jantar até o trânsito diminuir. Tem muita gente que mora sozinha e come fora diariamente", afirma.

Turistas
Além dos paulistanos, os turistas e visitantes de negócios engrossam as filas nas portas dos clubes e restaurantes. A vida noturna é um dos principais motivos que faz um visitante estender a sua estadia na cidade. 

Há cinco anos, a SP Turis, da prefeitura, realiza uma pesquisa sobre esse comportamento. No ano passado, 21% dos visitantes decidiram ficar mais tempo na cidade para ir a casas noturnas e 17% para aproveitar os restaurantes. "Para o nosso trabalho de promoção, os restaurantes e as casas noturnas são fundamentais. Aqui, há do eletrônico ao sertanejo, de botecos supertradicionais a restaurantes de reconhecimento internacional. É o grande diferencial da cidade", diz Luciane Leite, diretora de turismo e entretenimento da SP Turis.

A perspectiva é de um crescimento cada vez maior com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas. "O nosso desafio é capacitar os trabalhadores da área para receber o turista estrangeiro", diz Joaquim Saraiva. 

"Para nosso trabalho de promoção da cidade, os restaurantes e as casas noturnas são fundamentais. É o grande diferencial"
LUCIANE LEITE, DIRETORA DE TURISMO E ENTRETENIMENTO DA SP TURIS

 
REGRAS

É proibido

EM DEZ ANOS, QUATRO LEIS MUDARAM OS HÁBITOS NA NOITE PAULISTANA, RESTRINGINDO HORÁRIOS NOS BARES, BEM COMO O CONSUMO DE ÁLCOOL E CIGARRO

SARAH MALUF

Depois de uma década de restrições legais aplicadas durante a noite, São Paulo está mais silenciosa e mais agradável para quem não fuma, mas ainda sofre com acidentes de trânsito provocados por motoristas bêbados. 

Quatro leis, criadas nos últimos dez anos em âmbitos federal, estadual e municipal, parecem ter segurado as rédeas dos estabelecimentos ruidosos, dos fumantes boêmios e de quem vendia álcool para menores. Mas as medidas de fiscalização não frearam os motoristas que, contrariando a lei seca, ainda dirigem embriagados.

Consumido na noite por 95% dos baladeiros entrevistados na pesquisa Datafolha, o álcool tornou-se um vilão sem precedentes. Desde 2008, quem bebe mesmo em quantidade módica e é pego dirigindo tem que pagar multa e perde a carteira por um ano. Com alguns goles a mais, há o risco de pegar até três anos de prisão. No ano passado, no entanto, até o dia 18 de outubro, 1.167 pessoas foram flagradas pelas blitze da Polícia Militar com álcool no organismo em quantidade que caracterizava crime de trânsito. O número foi 32% maior do que o total de casos do ano anterior.

Entre os baladeiros entrevistados pelo Datafolha, 30% dirigem depois de beber. O índice é maior entre homens: 37% adotam esse comportamento. Entre mulheres, cai para 16%.

O número de homicídios culposos no trânsito também não variou muito na capital nos últimos cinco anos. Em 2011, a PM registrou 701 casos na cidade, contra 774 boletins de 2007. Como resposta à violência no trânsito, houve aumento da fiscalização e do uso de etilômetros (bafômetros): só neste primeiro bimestre, 56.593 condutores já passaram pelo aparelho.

Novo passo, em vigor desde novembro, a lei antiálcool passou a combater o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes. "Vender bebida para menores já era contravenção penal. Agora a lei paulista ficou mais restritiva e prevê punição para o dono do estabelecimento", afirma Cristina Megid, diretora da Vigilância Sanitária. 

Até ambulantes têm tomado cuidados. "Exigimos a apresentação de RG", afirma Michelle Souza, que vende caipirinhas no Baixo Augusta. A era da disciplina começou em 2002, quando a Lei do Psiu (Programa de Silêncio Urbano), da prefeitura, passou a fiscalizar com rigor baladas e restaurantes que funcionavam após a 1h sem isolamento acústico.

No ano passado, aplicaram-se 661 multas e lacrações em bares abertos após esse horário, e a punição determinou mais disciplina também entre os clientes. "Hoje, eles sabem que não posso montar mesa na calçada depois da 1h", afirma Luiz Carvalho, dono do bar Copacabana, no Tatuapé.

Baseados na lei
A aprovação desse tipo de controle não é total. Entre os entrevistados do Datafolha que têm entre 18 e 25 anos, 27% discordam da Lei do Psiu -esse índice cai para 8% entre pessoas com mais de 41 anos. "São Paulo tinha mais vida, a boêmia ficou sem lugar", diz o fotógrafo Felipe Baenninger, 24, que frequenta Pinheiros.

Desde maio de 2009, a lei antifumo, que proíbe cigarros em ambientes fechados e de uso coletivo, também multou 1.600 vezes, com um índice de cumprimento da lei de 99,7%. 

Houve endurecimento das regras contra o fumo e uso de álcool, mas usuários de maconha parecem ter relaxado após a criação da lei antidrogas, que, em agosto de 2006, aliviou a barra dos consumidores. A lei federal propôs como punição medidas socioeducativas para jovens e adultos pegos com uma quantidade da substância considerada como de uso pessoal. 

Frequentador da região do Baixo Augusta, o estudante Rodrigo Werneck, 22, não é usuário da droga, mas diz não se incomodar com o consumo nas redondezas. "O legal daqui é que cada um faz o que quer", opina. Para o analista de RH Pedro Coelho, 22, "em São Paulo, maconha está praticamente legalizada". 

"Você vê as pessoas fumando em todo lugar", observa. 

Fique por dentro

Quais leis o frequentador da noite deve conhecer antes de sair de casa

LEI ANTIFUMO

Âmbito: estadual
O que determina: proíbe fumar em ambientes fechados e de uso coletivo 
Punições: em caso de desrespeito à lei, o estabelecimento recebe multa de R$ 922 e pode ser interditado por até 30 dias (em caso de reincidência)

LEI ANTIÁLCOOL

Âmbito: estadual
O que determina: proíbe vender, ofertar e permitir o consumo de bebida alcoólica por menores de 18
Punições: multa e, em caso de reincidência, interdição por até 30 dias (na quarta vez, a casa perde a inscrição do ICMS e é fechada)

LEI DO PSIU 

Âmbito: municipal 
O que determina: torna mais rigoroso o controle de ruídos em bares, igrejas, casas noturnas, restaurantes e obras, principalmente após 1h 
Punições: multa de até R$ 30.606 e o estabelecimento pode ser lacrado

LEI SECA

Âmbito: federal
O que determina: penaliza com mais rigor quem dirige após consumir álcool 
Punições: varia de multa e perda de pontuação na carteira a três anos de detenção, com suspensão da habilitação ou proibição de obtê-la

 
 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
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