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Fiscalização flagrou mais de 45 mil no trabalho ilegal (2/6/2013)
O Globo

http://oglobo.globo.com/economia/fiscalizacao-flagrou-mais-de-45-mil-no-trabalho-ilegal-8566118

ARROIO DO TIGRE (RS) e RIO — A fiscalização é um dos braços que atuam no combate ao trabalho infantil. Entre 2006 e 2013, foram retirados do trabalho ilegal 45.807 menores de até 17 anos, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Desses, no trabalho noturno, também incluído nas piores formas, foram flagradas 2.200 crianças e jovens.



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Nas estatísticas do ministério, não há separação de acordo com a atividade econômica, mas o trabalho no fumo é uma das preocupações. Incluído na lista de piores formas de trabalho infantil, todo o processo produtivo do fumo é proibido para menores de 18 anos. Segundo cálculos da economista e professora da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, da USP, Ana Lúcia Kassouf, há 12 mil crianças de 5 a 15 anos nessa cultura e mais 11 mil, entre 16 e 17 anos. Ela usa os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, para tentar mensurar o número de crianças e jovens no trabalho de risco.
— Acho pouco provável que se consiga erradicar esse trabalho até 2015. Há uma questão cultural muito forte.


No Rio Grande do Sul, a atividade de adolescentes na cadeia do fumo está longe de ser erradicada. Mesmo jovens que estudam e participam de cursos de formação depois da escola, financiados pelas indústrias fumageiras, desempenham tarefas na produção familiar.


— Quem me ajuda são elas. Minhas duas outras filhas, W., de 16 anos e Z., de 15, já saíram de casa e os genros só podem nos ajudar nos finais de semana. Algumas coisas as meninas não podem fazer porque a lei não deixa, mas em outras elas têm que ajudar, se não nós não damos conta — diz o plantador de fumo João Haas.


Filhas também ajudam
Haas se refere às suas duas filhas mais jovens. As garotas frequentam a escola, fizeram curso de formação para atividade rural alternativa à cadeia do fumo, mas ainda assim atuam nas tarefas de classificação ou na semeadura das mudas. O pai, de 55 anos, diz que é muito difícil tirá-las do trabalho porque o modelo de produção é familiar.


Mas a situação melhorou nos últimos dez anos. João Hass, por exemplo, foi para a lavoura aos sete anos. Não terminou os estudos, nunca saiu de Arroio do Tigre e tenta mudar a matriz de produção da sua propriedade “por questões de saúde”. O agricultor já planta soja em parte dos 13,8 hectares da chácara. Também investe na produção de leite, mas sabe que terá de se adaptar à perda de renda — em apenas um hectare de fumo é possível colher duas toneladas e faturar R$ 14,7 mil. Nenhuma cultura paga isso no estado.


O agricultor Ademir Hammerschmitt, de 46 anos, também foi para a lavoura de fumo aos sete anos. O filho do colono, de 16 anos, também ajuda sempre que é preciso, principalmente confeccionando a manuca, espécie de atilho feito da própria folha de fumo que vai amarrar um conjunto de outras folhas.


—É difícil cuidar de 65 mil pés de fumo sozinho. Quando é preciso, a gente ajuda o pai e o tio — diz o menor.
*Colaborou Cássia Almeida

 

 
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