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Clarissa Baldotto, oncologista: ‘Tempo de vida é importante, mas não é só isso’ (21/1/2015)
O Globo

http://oglobo.globo.com/sociedade/clarissa-baldotto-oncologista-tempo-de-vida-importante-mas-nao-so-isso-15108955#ixzz3PYC8el00

Clarissa Baldotto, oncologista: ‘Tempo de vida é importante, mas não é só isso’

Carioca integra consórcio internacional (Ichom) de pesquisa que sugere modelo de gestão em saúde que agregue a mensuração da qualidade de vida do paciente

POR FLÁVIA MILHORANCE
21/01/2015 10:57 / ATUALIZADO 21/01/2015 11:12
 


“Tenho 38 anos, sou casada e tenho um filho. Sou oncologista e doutoranda em câncer de pulmão, uma subespecialização relativamente nova no Brasil, e pesquisadora do Instituto COI, que foi o contato para participar do Ichom. Eu me envolvi com a clínica, mas sempre ligada à pesquisa, trazendo informação nova”

Conte algo que não sei

Os EUA gastam nove vezes mais que o Brasil em saúde. Intuitivamente, parece muito melhor. Mas nem eles, nem nós sabemos o impacto verdadeiro disso na vida das pessoas porque simplesmente não o medimos.

E é isto que se está tentando fazer no Ichom — International Consortium for Health Outcomes Measurement? Qual é a inovação?

Sim, é um consórcio que mapeará doenças de impacto na população mundial para entender o que os serviços de saúde estão entregando ao paciente. O Ichom critica o fato de as medidas serem muito voltadas para as instituições: quanto custa um produto, quantos pacientes têm acesso, o tempo de vida... E foca no indivíduo, na qualidade de vida dele.

Ou seja, dois anos de vida a mais, mas sem qualidade, não é o mais importante? É uma mudança de filosofia?

Claro que o tempo de vida é importante, mas não é só isso. Um exemplo é de paciente com câncer de pulmão: ele pode ter dor na cicatriz pós-operação, e isso não é medido, só a taxa de cura. É o que o Ichom medirá.

Apesar de todas as políticas que temos e da redução do tabagismo, o câncer de pulmão ainda tem um impacto enorme. O que falta?

Ele é um dos mais prevalentes e, principalmente, a principal causa de mortalidade por câncer no mundo. Há redução da incidência em homens no Brasil, mas existe um intervalo de uns 20 anos até um fumante ter diagnóstico de câncer de pulmão. Então, o impacto da doença continuará grande nas próximas décadas. E ainda existe o câncer de pulmão entre não fumantes, numa prevalência de até 20%.

É alta. Qual é a causa?

Sim, expressiva. Existem algumas mutações genéticas identificadas, mas ainda não se sabe explicar bem o motivo.

Estamos avançando muito na medicina personalizada contra o câncer de pulmão?

Hoje há testes moleculares para entender a biologia do tumor e fazer um tratamento mais direcionado. O câncer de pulmão saiu na frente nisso. Não serve para todos, mas beneficiará cada vez mais pacientes.

A médio prazo, como será a evolução do tratamento?

Nos próximos dez anos, com certeza o câncer terá ultrapassado as doenças cardiovasculares como as de maior impacto no mundo. Não tenho dúvida que o tratamento evoluirá muito, já que o volume de pesquisa é enorme.

O custo do tratamento mais avançado já está aumentando. Continuará assim?

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Os tratamentos vão se tornando mais caros, e no Brasil a dificuldade de acesso é evidente. Por isso até temos que pensar como empregar melhor os recursos.

Como é associar pesquisa à prática? No dia a dia, o que ter as duas visões acrescenta?

Ajuda bastante. O que o pesquisador como eu que transita pelos dois lados faz é dizer ao pesquisador básico que talvez aquele detalhe não seja tão importante e vice-versa. Temos que acelerar a troca de dados.

Toda a sua formação foi no Brasil? Como é desenvolver pesquisa de câncer aqui, enquanto empresas farmacêuticas internacionais têm bilhões de dólares e tempo a mais?

No Brasil, temos muitas dificuldades. Mas o que o Ichom propõe é uma pesquisa relativamente simples, cujo resultado pode agregar mais à prática do que a descoberta de uma droga.

 
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