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Estudo mostra que quanto menos gente fuma, mais fumantes tentam largar o vício (25/6/2015)
O Globo

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estudo-mostra-que-quanto-menos-gente-fuma-mais-fumantes-tentam-largar-vicio-16545857

Pesquisa contraria antiga noção de que, com a queda na prevalência do tabagismo, haveria ‘endurecimento’ da população restante de fumantes, que não estariam dispostos ou seriam incapazes de abandonar o cigarro
por Cesar Baima

RIO - Nas últimas décadas, os programas de controle e prevenção do uso do tabaco têm levado a uma queda generalizada na proporção de fumantes na população de diversos países, inclusive no Brasil. Diante disso, desde os anos 1970 desenvolveu-se a teoria de que, à medida que a quantidade de fumantes diminuísse, só restariam os viciados mais inveterados ou incapazes de largar o cigarro, “endurecendo” a população fumantes.

Para atender esta fração de pessoas indisposta ou incapaz de abandonar o cigarro, surgiram então diversas estratégias apoiadas na chamada “redução de danos”, como formas de consumo de tabaco e nicotina sem queima (desde os antigos rapé e tabaco mastigável a chicletes, adesivos etc) e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos, que receberam aval e suporte tanto de algumas autoridades de saúde pública quanto da própria indústria tabagista. Agora, porém, um novo estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) contraria a antiga noção, indicando que a redução no número de fumantes está sendo acompanhada por um declínio no consumo de cigarros mesmo pelos mais viciados e serve como um estímulo a mais para que alguns deles finalmente larguem o cigarro, ou seja, na verdade a população de fumantes está “amolecendo”.

- O fato de a população fumante estar “amolecendo” tem importantes implicações do ponto de vista de políticas de saúde pública – considera Stanton A. Glantz, diretor do Centro de Pesquisas e Educação sobre Controle do Tabaco da UCSF e principal autor do estudo, publicado nesta quarta-feira no periódico científico “Tobacco Control”. - Nossos resultados sugerem que as atuais políticas de controle do tabaco estão levando a um “amolecimento” da população fumante sem a necessidade de promover novos produtos recreativos com nicotina, como os cigarros eletrônicos.

No estudo, os pesquisadores analisaram dados de levantamentos sobre o consumo de tabaco e seus derivados realizados ao longo de 18 anos nos EUA e seis anos na União Europeia (UE). Segundo eles, a cada queda de um ponto percentual na proporção de fumantes na população o número de fumantes que tentou largar o vício aumentou em 0,6 ponto percentual nos EUA, enquanto na UE este número permaneceu estável. O estudo também mostrou que a percentagem de fumantes americanos que largaram o cigarro aumentou 1,13 ponto percentual também a cada redução de um ponto na prevalência dos fumantes entre a população, enquanto o consumo diário entre os que permaneceram no vício caiu em 0,32 cigarro nos EUA e 0,22 na Europa.

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Para Margarete C. Kulik, também pesquisadora do centro da UCSF e primeira autora do estudo, o achado é significativo porque mesmo os cigarros eletrônicos trazem malefícios à saúde. Em estudos anteriores, os pesquisadores da universidade californiana relataram que as emissões destes cigarros contêm tanto nicotina quanto outras substâncias tóxicas, como formaldeídos, e eles estão associados a uma menor chance de as pessoas largarem o hábito ou levam até a um uso duplo, isto é, o consumo tanto de cigarros tradicionais quanto os eletrônicos simultaneamente por jovens e adultos.

Em resumo, diz Margarete, as atuais políticas de controle e prevenção do uso de tabaco - que incluem propagandas antitabagistas, leis restringindo os locais onde o fumo é permitido e aumentos dos impostos sobre o tabaco - estão funcionando e como resultado a prevalência dos fumantes está caindo ao mesmo tempo que levando mais fumantes a largarem o cigarro.

- Demonstramos que não há necessidade real de distribuir cigarros eletrônicos como parte de uma política de combate ao tabagismo, já que a população fumante está na verdade “amolecendo” - avalia. - As políticas de controle do tabaco devem continuar a mover a população em direção deste “amolecimento” no lugar de serem alteradas para promoverem novas formas de administração de nicotina, em especial produtos como os cigarros eletrônicos, que têm forte apelo entre as crianças.

 

 
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