Agenda
Artigos
Boletim
Campanhas
Enquetes
Notícias
Press Releases

 

 
 

 
Principal > Comunicação > Notícias

notícias

Ministério da Saúde lança campanha de combate ao narguilé (4/9/2015)
Correio Braziliense

Consumo desse tipo de tabaco entre homens de 18 a 24 anos cresceu 139% de 2008 a 2013, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer


O consumo do narguilé entre homens jovens fumantes subiu de 2,3% em 2008 para 5,5% em 2013, um aumento de 139%, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. São pelo menos 212 mil consumidores no país. A fim de combater o tabagismo entre jovens, a pasta lançou uma campanha para alertar sobre o perigo do consumo desse tipo de tabaco e combater a percepção de que ele é menos maléfico do que o cigarro comum.

O aumento vai na contramão do uso do cigarro comum, que caiu 30,7% nos últimos nove anos, de acordo com a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde. O produto tem sido alvo de políticas diversas, como a elevação da tributação, proibição de propaganda e de fumódromos e aumento das advertências dos riscos à saúde nos maços, mas não há políticas voltadas especificamente para o chamado cachimbo de água. Na avaliação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, o caráter social e a glamourização contribuem para atrair jovens. “Você tem toda uma dimensão de glamour e pressupõe uma socialização que é muito forte no comportamento dos adolescentes”, alertou.

Outro fator que justifica o aumento do consumo é a falsa ideia de que ele não faz tão mal à saúde. Diferente do que muitas pessoas pensam, a água do narguilé não filtra as substâncias tóxicas e o volume de fumaça inalada é maior do que ao fumar um cigarro comum. “Ele multiplica em 20 a 30 vezes o risco de um fumante pesado”, alerta Luiz Felipe Ribeiro Pinto, vice-diretor geral do Inca. Além disso, a capacidade de viciar é maior, uma vez que a nicotina está presente em quantidades maiores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma sessão – que dura em média de 20 a 80 minutos – corresponde à fumaça de 100 cigarros. “É uma tentativa de querer comercializar o tabaco como um produto menos tóxico, o que não é verdade”, alerta o especialista.

Mortes
No Brasil, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano. Dos casos de câncer de pulmão, tumor considerado mais letal e uma das principais causas de óbitos no país, 90% são fumantes. Do restante, um terço é fumante passivo. A estimativa do Inca é que, neste ano, sejam registrados 27.330 novos casos desse tipo de enfermidade. O fumo causa ainda doenças respiratórias e coronarianas diversas, além de câncer de boca, laringe, esôfago, bexiga e leucemia. No ano passado, houve 1,5 milhão de internações de enfermidades relacionadas ao tabagismo na rede pública, com um custo de R$ 1,9 bilhão.

O uso de sabores e aditivos em produtos de tabaco, principal atrativo do narguilé, deveria ter sido extinto há dois anos. A medida consta em uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas foi suspensa por uma liminar da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para Paula Johns, fundadora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), a mudança reduziria em 90% o consumo do narguilé. “É uma forma de mascarar o produto”, alerta a especialista, que também defende um aumento de tributação do cachimbo d’água. Chioro falou que ainda não há definição sobre o tema.

 

 
ACT | Aliança de Controle do Tabagismo
Rua Batataes, 602, cj 31, CEP 01423-010, São Paulo, SP | Tel/fax 11 3284-7778, 2548-5979
Av. N. Sa. Copacabana, 330/404, CEP 22020-001, Rio de Janeiro, RJ | Tel/fax 21 2255-0520, 2255-0630
actbr.org.br | act@actbr.org.br
FW2