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Ética Social e Ambiental Vira Negócio Rentável (10/4/2006)
ACTBR

O Globo  - ECONOMIA  (Domingo, 09/04/2006 - Página 39)

Bancos lançam fundos que aplicam em empresas consideradas socialmente
responsáveis. Ibase critica critérios de escolha

O filão do politicamente correto virou moeda de troca para empresas e um
tremendo negócio para grandes bancos do país. Nos últimos três meses, bancos
como Bradesco, Banco do Brasil, HSBC e Safra lançaram fundos de investimento
que aplicam apenas em empresas com boas práticas de governança corporativa
(proteção ao acionista minoritário), políticas de cuidado com o meio
ambiente e responsabilidade social. Todos na esteira do Índice de
Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa) no fim de 2005 e do qual fazem parte apenas 28 das cerca de
340 empresas listadas na Bolsa. Hoje, a Bovespa é a quarta bolsa do mundo a
ter um índice desses.

O nicho tem se provado bastante rentável: em média, no ano, os chamados
fundos éticos tiveram rentabilidade bruta — isto é, sem o desconto do
Imposto de Renda — de 17,4%, superior aos 15,98% da Bolsa e em linha com os
17,7% do ISE. Os dados são do site Fortuna.

A “onda ética”, no entanto, é vista com desconfiança por Ciro Torres,
coordenador de Responsabilidade e Ética nas Organizações do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase):

— Nos fundos que acompanham o ISE, não há restrições a empresas de
armamentos, bebidas alcoólicas ou cigarro. Mas as que matam e viciam nunca
serão socialmente responsáveis. O investidor deve pensar nisso. Os bancos,
que representam mais de 50% do ISE, são conhecidos pela alta circulação de
mão-de-obra e há vários casos de preconceito racial. É neste tipo de empresa
que quem é socialmente responsável quer investir?

A instituição protagonizou uma briga com a Bovespa em 2005, durante a
elaboração do ISE. O Ibase e o Ministério do Meio Ambiente pleiteavam a
exclusão prévia de empresas de armamento, bebidas alcoólicas e cigarros.
Como foi voto vencido, o instituto se retirou do Conselho Deliberativo do
ISE.

À margem da discussão, empresas incluídas no índice resolveram capitalizar o
tema. Segundo Ricardo Nogueira, superintendente de Operações da Bolsa, há
duas semanas, uma companhia publicou anúncio em vários jornais divulgando
ser a única do seu setor a ter ações listadas no ISE:

— A ética virou moeda de troca e todos acabam capitalizando em cima disso —
diz.

— Não acho ruim capitalizar a informação. Há um movimento de valorização da
responsabilidade social, um amadurecimento da sociedade. E traz retornos
efetivos para as empresas. Se não poluem e respeitam seus funcionários,
economizam em processos judiciais — avalia Marcelo Linguitte, gerente de
Relações Internacionais do Instituto Ethos, organização não-governamental
que orienta empresas a gerir negócios com responsabilidade social.

Vincular a imagem da instituição a ao tripé ética ambiental e social e
governança corporativa se tornou um ótimo negócio. Levantamento do site
Fortuna mostra que, embora esses fundos representem uma fatia muito pequena
do mercado de ações — 1,5% do total, com patrimônio de R$346 milhões — 20%
do total captado este ano pelos fundos de ações vieram dos fundos éticos.

O ABN Ethical, lançado em 2001, foi pioneiro no mercado. Desde o lançamento,
rendeu 265%, ante 234% do Ibovespa.

— O fundo mostrou que ética e lucro não são excludentes — resume o gestor
Pedro Villani.

A arquiteta Andresa Fernandes aplica no fundo há um ano:

— Valeu a pena. O ganho é bem superior ao da renda fixa. Além disso, ao
investir, consigo aliar rendimento com proteção ambiental e social — diz
ela.

O Itaú, que lançou fundo similar em 2004, teve a aplicação mais rentável do
segmento este ano: 18,58%. E vai além:

— Destinamos metade da taxa de administração para projetos sociais — diz
Michael Araujo, superintendente de Renda Variável do banco, que seleciona as
empresas com a ajuda de ONGs.
 
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