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Burrice (11/6/2004)
Luis Fernando Veríssimo

Globo online
Publicado em 10 de junho de 2004 Versão impressa
Luis Fernando Verissimo



   


Burrice


Que mulher é mais inteligente do que homem ninguém discute. Bom, talvez alguns homens, mas só para provar como são menos inteligentes. Tem um fato, no entanto, que parece desmentir essa superioridade feminina. Não sei se as estatísticas confirmam, mas é evidente que existem muito mais novos fumantes entre as mulheres do que entre os homens. E quem começa a fumar, hoje, só pode ser burro.


No número total de fumantes no mundo, imagino que os homens ainda batam as mulheres. Mas é muito mais comum ver-se meninas adolescentes fumando do que meninos. Talvez esta desproporção já existisse e as meninas fumassem mais, mas escondidas.

Hoje fumam abertamente, em toda parte, e sem parar. E como são adolescentes, pertencem à primeira geração de fumantes que não pode ter nenhuma dúvida sobre o mal que o cigarro faz. Outras gerações de adolescentes começavam a fumar para imitar os adultos, para se sentirem adultos, para serem sofisticados e porque, pelo menos depois dos primeiros acessos de tosse, era bom, e pouco ligavam à alegação careta e não provada de que podia encurtar suas vidas. Hoje, que cigarro mata é não apenas uma certeza mas uma certeza universalmente difundida e conhecida. E mesmo assim as meninas começam a fumar.

Velhos fumantes não podem ser chamados de burros. Quando se tornou insofismável que fumar dava câncer e matava de outras maneiras terríveis, já estavam fisgados. Só podemos (nós que, sem sermos gênios, adivinhamos desde cedo que aspirar fumaça não podia fazer bem) ser solidários com a sua luta contra o vício, ou com a sua resignação. Mas quem começa a fumar sabendo tudo o que sabe, desculpe: é burro. No caso, burra. Para não enveredarmos pela hipótese de que se trata de uma geração suicida.
 
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