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Por que elas não devem fumar (22/4/2004)
Gabriela Carelli

Veja, edição 1850, 210404.
Medicina
Por que elas não
devem fumar

A incidência de câncer de pulmão cresce
mais entre as mulheres do que
entre os
homens.
A culpa é do cigarro


Gabriela Carelli

VEJA Saúde: reportagens e links sobre câncer

O índice de mortes causadas pelo câncer de pulmão entre os homens tem declinado desde os anos 80. Entre as mulheres, ao contrário, o número de mortes cresceu 600% entre 1930 e 1997. Só nos últimos vinte anos, o aumento foi de 150%. Essa doença mata hoje mais mulheres que os cânceres de mama, útero e todos os demais tumores ginecológicos juntos. Num artigo publicado em sua última edição, em que faz a resenha de pesquisas e levantamentos recentes, o Jornal da Associação Médica Americana (Jama) diz que o câncer de pulmão atingiu as dimensões de uma epidemia entre as americanas. Esse é um fenômeno que também se verifica no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que nas últimas duas décadas a incidência de casos da doença cresceu 57% entre homens e 134% entre as brasileiras.

Assim como ocorre com os homens, o cigarro é apontado como a principal causa do aumento desse tipo de tumor entre as mulheres. Nove de cada dez cânceres de pulmão estão associados ao tabagismo. O risco de surgir um tumor pulmonar para quem fuma três cigarros por dia é quatro vezes maior do que para um não-fumante. A probabilidade aumenta para 24 vezes para quem consome um maço diário. "As pesquisas mostram que o avanço da doença está relacionado ao fato de as mulheres terem começado a fumar mais cigarros nos últimos trinta anos", diz Mark G. Kris, oncologista do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York. "Enquanto a quantidade de fumantes masculinos caiu pela metade nesse período, o número de mulheres fumantes aumentou 25%", diz ele. Várias pesquisas sugerem que as mulheres são em média duas vezes mais suscetíveis a ter a doença do que os homens. Mesmo aquelas que não fumam, mas que são expostas à fumaça do cigarro, têm maior possibilidade de desenvolver um tumor do que homens que nunca fumaram. "Não se sabem as causas, mas suspeita-se que hormônios sexuais femininos, como o estrógeno, interfiram no metabolismo de substâncias químicas do cigarro", diz o oncologista Jefferson Luiz Gross, do Hospital do Câncer de São Paulo.

A única informação positiva nessa estatística trágica é que as mulheres com câncer de pulmão em geral vivem por um período um pouco maior que os homens com a doença. O câncer de pulmão é um dos mais letais. Perto de 90% dos pacientes morrem num período de cinco anos após ele ser identificado. Por ser de difícil diagnóstico e ter sintomas iniciais geralmente negligenciados, como tosse e falta de ar, também é de difícil prevenção. Não é só com o câncer de pulmão que as fumantes devem se preocupar. Pesquisas mostram que os efeitos do tabagismo são mais devastadores para a saúde das mulheres que para a dos homens. O fumo dobra a probabilidade de câncer de mama, aumenta em cinco vezes o risco de câncer de colo do útero e triplica a incidência de ataques cardíacos e derrames. Um perigo que, combinado à pílula anticoncepcional, pode ser dez vezes maior.

 
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