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Fumaça zero (28/8/2008)
Luizemir Wolney C. Lago

http://www.reporterdiario.com.br/index.php?id=93680

Os profissionais que atuam na área de saúde pública não podem proibir ninguém de fumar, mas podem e devem adotar medidas para reduzir, efetivamente, os riscos que o cigarro e demais derivados de tabaco trazem à saúde de fumantes e de não fumantes. Isso se chama promoção de saúde.

Uma das medidas consensuais entre os especialistas é a restrição dos ambientes onde o fumo é permitido. Nas décadas de 80 e, principalmente, de 90, proliferaram os fumódromos nas empresas e imóveis comerciais como solução para livrar os não fumantes do incômodo que cigarros causam. Mas sabe-se que a fumaça não respeita fronteiras, mesmo nos ambientes mais isolados. Qualquer fresta, até mesmo o buraco de uma tomada, pode contribuir para a disseminação dos gases tóxicos emitidos pelo tabaco.

Por isso é fundamental que os espaços fechados sejam cada vez mais protegidos do cigarro, contribuindo, assim, para prevenir o fumo passivo. As pessoas que não fumam também podem ter complicações de saúde por inalar a fumaça dos derivados de tabaco. Garçons que trabalham em restaurantes ou bares onde fumar é permitido apresentam altos níveis de monóxido de carbono no organismo, comparáveis aos registrados em fumantes. Crianças que frequentam o mesmo ambiente que os fumantes adultos são fumantes passivos também, apresentando inclusive taxas altas de cotinina (metabólito da nicotina, encontrada no sangue, saliva e urina). Estas crianças costumam ter problemas respiratórios diversos, como rinites, sinusites e asma.

Em São Paulo a Secretaria de Estado da Saúde vem estimulando, desde 2007, a restrição do fumo em espaços fechados por meio da concessão do selo Ambiente Livre de Tabaco a instituições, empresas, edifícios, bares, shoppings, lojas, lanchonetes, restaurantes e outros espaços públicos que eliminarem o cigarro de seus ambientes, removendo inclusive fumódromos.

Para obter o selo, o estabelecimento precisa seguir as normas de uma cartilha formulada pelo Comitê Estadual Ambientes Livres do Tabaco, formado por representantes do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Câncer (Inca), além de organizações não-governamentais. Após ser considerado apto, o local recebe uma última inspeção, realizada sem aviso prévio, antes de ser reconhecido oficialmente como livre de tabaco.

A adesão ao programa não é obrigatória, o que, em nosso entendimento, é uma vantagem. Os proprietários de estabelecimentos que pedirem o selo serão os maiores interessados em fiscalizar o cumprimento das normas, garantindo a proteção dos freqüentadores do local.

Neste 29 de agosto, quando o país celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo, é fundamental lembrar mais uma vez que o cigarro é responsável por uma série de problemas graves de saúde, como vários tipos de cânceres, infarto do miocárdio e enfisema pulmonar. E que eliminar o fumo de ambientes fechados, em que pesem os esforços governamentais, também depende da colaboração solidária de empresários, entidades de classe e da sociedade civil organizada.

Luizemir Wolney C. Lago é médica psiquiatra e sanitarista, é diretora do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
 

 
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