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O perigo do fumo passivo (11/6/2008)
Fabiana Fregona

Saúde  |  10/06/2008 10h44min

De cada 10 crianças brasileiras, entre quatro e seis vivem em casas onde se fuma

Apesar de não colocar cigarros na boca, um terço da população mundial está sujeita aos males do tabaco. São os fumantes passivos ou involuntários, grupo que tem 30% mais chances de sofrer de uma doença coronária por inalar fumaça alheia, segundo um estudo de cientistas guatemaltecos apresentado no mês de maio no 16° Congresso Mundial de Cardiologia, realizado na Argentina.

O aparecimento de doenças depende do volume de fumaça inalada e do tempo de exposição. No estudo da Guatemala, os pesquisadores constataram alterações na função das artérias dos não-fumantes em 30 minutos de exposição à fumaça. A longo prazo, isso pode representar um risco duas a três vezes maior de desenvolver câncer de pulmão.

No mundo, a Organização Mundial de Saúde estima que o número de fumantes passivos alcance 2 bilhões de pessoas, sendo 700 milhões de crianças. A quantidade é superior ao número de fumantes ativos, estimado em 1,2 bilhão de pessoas - desses, 30 milhões são brasileiros. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer não tem dados sobre o número de fumantes passivos.

Para o pneumologista Alexandre Milagres, coordenador do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, do Rio, o surgimento de doenças nos fumantes involuntários também está relacionado à predisposição genética. No caso de um casal em que o marido fuma e a mulher convive com a fumaça, seria como se a mulher desenvolvesse câncer de pulmão por ter predisposição genética e o marido, não.

– O fumante sem predisposição genética é capaz de fumar uma quantidade grande de cigarros por toda a sua vida e não desenvolver o câncer de pulmão. Já a mulher desse paciente, se conviver com ele por longo tempo aspirando fumaça, pode desenvolver a doença sem nunca ter fumado – explica o médico.

Em geral, os males que atingem os fumantes passivos são os mesmos que afetam as pessoas que têm o hábito de fumar. Para os não-fumantes, a fumaça mais prejudicial é a que sai direto da brasa do cigarro, chamada de corrente lateral. Ela libera no ambiente cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas, uma parte delas cancerígena. Já a fumaça expelida pela boca ou pelas narinas, chamada de corrente principal, tem menos agentes tóxicos, uma vez que parte fica retida no filtro do cigarro ou é absorvida pelo organismo do fumante.

Nos fumantes involuntários adultos, a fumaça aumenta os riscos de acidente vascular cerebral, câncer de pulmão, infarto e angina (dor no peito), além do agravamento de problemas respiratórios, como enfisema, bronquite e asma.

Segundo o pneumologista do Complexo Hospitalar Santa Casa Luiz Carlos Corrêa da Silva, coordenador do Programa Fumo Zero, da Associação Médica do Rio Grande do Sul, o principal problema da fumaça é a inalação de monóxido de carbono, que prejudica a ação da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio pelo organismo.

Infância sob o risco do cigarro


Sob a fumaça do cigarro de pais e familiares, uma legião de crianças está exposta a doenças do mundo dos fumantes. De cada 10 crianças brasileiras, entre quatro e seis vivem em casas onde o hábito de fumar é uma prática freqüente do pai, da mãe ou de ambos, segundo a Sociedade Americana de Câncer.

No mundo, 700 milhões de crianças são fumantes passivos, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao conviver com uma pessoa que fuma um maço (20 unidades) por dia, o fumante passivo inala o equivalente ao consumo de três cigarros. Em um mês, de acordo com pesquisa da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos, é como se a criança fumasse 90 cigarros.

De acordo com o pneumologista José Miguel Chatkin, coordenador do Programa de Cessação do Tabagismo e professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), as crianças que convivem com fumantes estão mais propensas a otites, bronquites, pneumonias e asma, o que favorece o aparecimento de sintomas respiratórios, como tosse, catarro e falta de ar.

Quanto mais jovem uma pessoa é, mais nocivos são os efeitos do cigarro no seu organismo. Nos recém-nascidos, a inalação da fumaça aumenta o risco de infecções, pneumonias e de incidência da síndrome da morte súbita infantil, que acomete principalmente bebês nos primeiros seis meses de vida.

Mesmo dentro da barriga da mãe, a criança está desprotegida do cigarro. Quando a mãe dá uma tragada, as substâncias tóxicas inaladas são transmitidas ao feto por meio da corrente sangüínea e do cordão umbilical.

– Vejo mães fumando durante a gestação com muita freqüência. Se a mãe segue sendo tabagista, consome de 20 a 30 cigarros por dia, que é a média brasileira. Durante os nove meses da gestação, imagine o que é a exposição desse feto – analisa o pneumologista Alexandre Milagres, coordenador do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, do Rio.

Durante a gestação, o fumo pode provocar aborto espontâneo e parto prematuro. O bebê está mais propenso a nascer com baixo peso e a ter comprometido o seu desenvolvimento intelectual. Ao nascer, a criança dependente de nicotina entra no que os médicos chamam de período de abstinência, que resulta em choro demasiado, insônia e tensão. Entre as mães fumantes, a produção de leite é menor, e o desmame, normalmente, ocorre mais cedo do que o normal.

Ao atingir a adolescência, o filho de uma mãe fumante tem mais chances de se tornar dependente do cigarro. É como se trouxesse no cérebro lembranças da nicotina. Segundo Milagres, uma pesquisa recente constatou que a presença de um gene pode favorecer o vício:

– Antigamente, a gente dizia que cem cigarros eram suficientes para se viciar. Agora, existem genes que provam que apenas um cigarro pode ser suficiente para tornar uma pessoa dependente. Hoje, tentamos falar para as crianças que elas não devem experimentar nicotina, da mesma forma que o crack.

 
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