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Falta de cigarros deixa fumante à beira de um ataque de nervos (28/8/2006)
Paula Johns

Fonte: http://www.bomdiariopreto.com.br/index.asp?jbd=1&id=53&mat=39919

O editor Ferri aceita desafio de ficar 24 horas sem nicotina e afirma ter ‘conhecido o inferno’


São 23h20. Saio do trabalho. Como de costume, olho a carteira de cigarros. Resta um. É dia de pegar a rota “B” para casa. A que passa em frente à loja de conveniência que vende a marca que fumo. No caminho, lembro que não posso comprar. Eu me comprometi a não fumar no dia seguinte. Para não ser tentado, melhor não ter por perto.

Vinte minutos depois estou em casa. No meio da refeição lembro do compromisso. Será que há tempo? Restam dez minutos para zero hora. Preciso me preparar para o desafio. Na sacada, fumo o último do maço.

O relógio passa a contar as horas do dia seguinte e, despreocupado, adormeço.

São 8h30 quando acordo. Nunca fui de enrolar na cama, mas não tem jeito. Preciso fugir dos pensamentos enfumaçados. Tento pegar no sono, o que rende mais duas horas e meia. Prestes a superar metade do desafio e, antes do alívio, a lembrança. Venci a parte mais fácil dessas 24h. O pior ainda está por vir. As outras 12h, nas quais boa parte encaro a edição de esportes do jornal.

E dessa vez sem poder recorrer ao fumódromo para “nicotizar” o cérebro.

‘Comi feito um glutão para me distrair’
São 14h20. Preciso pautar os repórteres da editoria. Olho para um e passo a pauta: “Vá ao boteco ao lado e compre um saco de balas!”

Pedi a ele para ir. Não encarei, pois para chegar ao boteco em questão teria de passar pelo fumódromo.

Cinco minutos depois o repórter volta com um saco de caramelos.

Às 14h30, olho para os papéis em cima da mesa. Nossa, já consumi cinco balas. Média de uma por minuto. Sinto que até o fim dessas 24 horas, a história vai me doer no estômago.

São 16h30. Estou irritado, mas está tudo bem. Os caramelos não acabaram e auxiliam bem na batalha.

Ao pinçar a enésima bala do “saco sem fundo”, escuto o fotógrafo dizer: “Da bala. Fica assim ó, para eu tirar a sua foto!” Deus me dê paciência, pois se me der força, torço o pescoço!”

Corpo provoca sistema nervoso
O corpo comemora o fato de o jornalista ter topado o desafio de passar 24 horas sem colocar tubinhos cancerígenos na boca.

No entanto, no ato da decisão, o sistema nervoso central alerta: “Ei, mané! Vai dar conta? Acho que não, heim?” Finjo ignorá-lo, mesmo certo de que não será fácil vencer o desafio lançado.

Minha desconfiança é confirmada pelo pneumologista Roberto Rodrigues, da Diagnósticos da América (empresa de São Paulo que controla redes de laboratórios de análises clínicas).

“A nicotina age sobre neurotransmissores no cérebro, dando sensação de calma e aumentando a concentração ao mesmo tempo.”

Me privar do cigarro por um dia pode ter feito um bem danado ao corpo. A cabeça, no entanto, reclamou.

Apenas 10% páram sozinhos
A experiência de ficar sem fumar foi difícil, mas pelo menos posso dizer que não estou sozinho no mundo.

Segundo o pneumologista Roberto Rodrigues, pesquisas revelam que apenas 10% dos fumantes que tentam parar com o cigarro alcançam o objetivo sem a ajuda de ninguém.

“Hoje a medicina tem bons instrumentos para ajudar o fumante a abandonar o cigarro, inclusive com medicamentos”, afirma.

O médico — combatente ferrenho do hábito de fumar — reconhece que o simples desejo de largar o fumo é mais fraco que o poder da nicotina sobre o organismo.

“Fumar causa dependência química, e o tabagismo é doença. Para abandonar o vício, só mesmo com muita vontade e ajuda médica”, diz o especialista.


26/8/2006 Marcelo Ferri
 
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