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Fabricantes processados por causa de cigarros light (26/9/2006)
Paula Johns

Fonte: Estadao.com.br

26 de setembro de 2006

tabagismo

São Paulo - Em um golpe para a indústria do tabaco, um juiz federal americano concedeu status de ação coletiva a um processo que pode beneficiar dezenas de milhões de fumantes de cigarros light. A decisão abre caminho para um pedido de indenização de cerca de US$ 200 bilhões contra os fabricantes.

O juiz distrital Jack Weinstein tomou a decisão em um processo de 2004, que alega que as empresas Philip Morris, R.J. Reynolds, Lorillard e outras reagiram às questões de saúde pública suscitadas pelo hábito de fumar com uma campanha de mentiras.

O coletivo representado na ação inclui qualquer um que tenha comprado cigarro com a palavra light no rótulo desde que esse tipo de produto chegou ao mercado, nos anos 70 - cerca de 60 milhões de pessoas, estimam os advogados.

O julgamento da ação está previsto para 22 de janeiro de 2007. Mas a decisão já derrubou as ações das empresas. Na bolsa de Nova York, no começo da tarde de ontem, as ações da Altria, dona da Philip Morris, caíam 3,8%. Em Londres, as ações da Reynolds American perderam 2,39%.

Defendendo o status coletivo da ação, o advogado que representa os fumantes, Michael Hausfeld, disse que os fabricantes usaram uma estratégia de marketing para promover produtos light como alternativa de baixo risco aos cigarros comuns, embora tivessem acesso a estudos mostrando que os riscos eram praticamente iguais. Eles sabiam que estavam vendendo morte, disse o advogado. Hausfeld afirmou ao juiz que uma análise de especialistas concluiu que 90% dos fumantes compraram cigarros light por questões de saúde. Advogados de defesa argumentam que, sem interrogar cada fumante, é impossível determinar os motivos de cada um para comprar cigarros.

Outro estudo - base do pedido de indenização - avalia que os fumantes, se conhecessem os riscos à saúde, teriam esperado descontos de até US$ 0,80 por maço comprado.

 
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