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Dependência psicológica inibe combate ao tabagismo (30/8/2006)
Paula Johns

Fonte: http://www.reporterdiario.com.br/index.php?id=6184

Sucena Resk

Apesar de as estatísticas serem alarmantes, o tabagismo ainda é o grande vilão deste século nos países desenvolvidos, mais que a Aids, os incêndios e suicídios. Todos os anos morrem cerca de 5 milhões de pessoas em decorrência do tabagismo, o que representa 6 mortes por segundo. A estatística da OMS (Organização Mundial de Saúde) revela ainda que o vício é a segunda causa de morte evitável, seguida do tabagismo passivo (inalação da fumaça de derivados de tabaco por não-fumantes). Diante desses números, especialistas reforçam o alerta à sociedade, hoje em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

O pneumologista Adriano César Guazzelli, coordenador do Ambulatório de Auxílio ao Tabagista do Hospital Estadual Mario Covas, em Santo André, explica que a principal dificuldade para se parar com o hábito de fumar é a dependência psicológica. “Cerca de 90% dos fumantes já são dependentes antes dos 19 anos. Alguns dos motivos que levam ao vício, são o exemplo em casa, o argumento de se fazer parte de rodas de amigos ou de se sentir mais adulto e importante”, diz o médico.

A nicotina presente no cigarro e seus derivados é a causadora da dependência física. A substância química dá a sensação de prazer, provocando alterações no sistema nervoso central. “Ao se inalar ou mastigar o produto, são introduzidos no organismo mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, sendo 48 substâncias pré-cancerígenas”, explica o médico.

Segundo Guazzelli, mais de 60 doenças estão relacionadas ao hábito de fumar. Entre as principais, estão a bronquite crônica, o câncer de pulmão, o derrame cerebral, o enfizema pulmonar e o infarto. “Aproximadamente 50% das pessoas que fumam a vida toda, morrem de uma dessas doenças. Quem não pára de fumar, vive cinco anos a menos do que quem não tem o vício”, explica o coordenador.

Conscientização
O primeiro passo para acabar com o tabagismo é a conscientização. “Parar de fumar é uma decisão pessoal. Implica mudança de comportamento, ao suspender primeiramente dispositivos que estão ligados ao hábito, como tomar café, entre outros”, aconselha o pneumologista.

A agente escolar Maria Inês da Silva, 50 anos, vivencia no dia-a-dia, a força de vontade para acabar com um vício que a acompanha há 37 anos. “Há 20 dias, não coloco um cigarro na boca. Com o início do tratamento, comecei a perceber que nada que me motivava a fumar era, de fato, importante. Agora até a fumaça me irrita”, diz.

Segundo ela, começou a ficar mais atenta aos prejuízos à sua saúde, depois de se submeter a uma cirurgia de varizes. “Fui alertada que o vício era um fator de perigo para mim. Até meu netinho de 4 anos, me disse que era fumante em 98%, porque convivia com fumantes. Aprendeu isso na escola”, conta. Mas o que mais a deixou impressionada foi verificar na ponta do lápis, que o que gastava por mês para comprar dois maços de cigarro diariamente, dava para pagar a prestação de sua casa no litoral.

A batalha ainda não está ganha, de acordo com Maria, já que desde a adolescência fuma. Por isso, ela se esforça para não faltar aos dias de tratamento no Ambulatório. “Comecei a fumar, porque achava bonito ver meu pai tragar o cigarro de palha. Hoje, vejo como é feio em todos os sentidos”, analisa.

O tratamento leva em média um ano, de acordo com Guazzelli, e é dividido em parte medicamentosa e de auxílio psicológico, com reuniões de grupo semanais. “Atualmente os métodos mais modernos são à base de antidepressivos e de terapia de reposição de nicotina, por meio de adesivos. Mas os remédios ainda não são disponibilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) aqui no hospital”, informa o especialista. Com isso, os dependentes têm de recorrer ao próprio bolso. O médico constata que o custo mensal não é barato, para quem ganha um salário mínimo. “Pode chegar à faixa de R$ 80”, diz.

O Ambulatório de Auxílio ao Tabagista do Mario Covas funciona há cerca de dois anos. Mensalmente cerca de 50 pessoas são atendidas na unidade, às segundas-feiras, por meio de encaminhamento do sistema de saúde. “Antes o serviço era prestado na FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), onde deverá ser retomado, aumentando nossas vagas”, informa o pneumologista. A data para a implementação, entretanto, ainda não foi definida.

 
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