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Filho de fumante tem risco maior de desenvolver doenças (29/8/2006)
Paula Johns

Fonte: Estadão
29 de agosto de 2006

estudo

São Paulo - Antes fumar ao lado de um adulto do que perto de crianças. A afirmação nunca teve tanto respaldo médico como agora. Estudo do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) chegou à conclusão de que o corpo da criança funciona como uma esponja para as substâncias tóxicas da fumaça do cigarro e calculou as chances de ela sofrer dos principais problemas causados pelo fumo.

Não são poucas as crianças expostas à fumaça do cigarro em casa. Das mil crianças de 0 a 14 anos analisadas, 51% são fumantes passivas, o que equivale a dizer que estão fumando cinco cigarros por dia.

A quantidade é suficiente para causar estragos, como aumentar as chances de doenças nas vias respiratórias. Exemplos: se os pais fumam, o risco de uma criança ter otite é 48% maior do que se o casal não fumasse. Caso só a mãe fume, o risco é de 38%. Só o pai, 21%. Já a chance de ter bronquite é 72% se os dois fumam.

"A quantidade de vezes que a criança respira é bem maior que a do adulto", explica Vera Colombo, técnica sanitarista do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A cada minuto, a criança respira cerca de cem vezes por minuto, em repouso. O adulto, 60 vezes.

"As vias respiratórias são o caminho de entrada da fumaça, e, por isso, as primeiras a sofrer seus efeitos", diz João Paulo Lotufo, coordenador da pesquisa e chefe da pediatria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Chiado no Peito - Giovanni, de 6 meses, já tem inflamação nos brônquios. O pai, Wilson Alexandre de Matos Menezes, de 44 anos, fuma há 30. "Não consigo evitar fumar em casa", diz ele. Mirele, de 4 anos, também tem bronquite. O pai, Pedro de Almeida, de 44 anos, fuma há 22 anos um maço por dia. "Não imaginava que o cigarro pudesse dar isso na minha filha", diz ele, que tem ainda dois meninos gêmeos, de 1 ano e 8 meses. "Minha filha já tem problemas há dois anos e meus filhos começaram a ter chiado no peito."

Sem Filtro - "No fumante passivo, o efeito tóxico é potencializado porque não há filtro na ponta pela qual sai a fumaça", diz Lotufo. A fumaça do cigarro tem 400 substâncias tóxicas - o cigarro tem 4 mil.Entre as principais substâncias nocivas do cigarro estão a nicotina e o monóxido de carbono. A nicotina atinge o sistema nervoso em apenas oito segundos. Lá, ela estimula a produção de substâncias que dão relaxamento, como os hormônios dopamina e serotonina. Depois, segue para o fígado, onde é metabolizada. Duas horas mais tarde é eliminada pela urina.

A quantidade de nicotina pode ser detectada na saliva, no sangue e na urina por um derivado chamado cotinina. Das crianças de 0 a 5 anos que eram fumantes passivas e foram analisadas pelo pediatra Lotufo, 24% tinham cotinina na urina.

A diminuição no fluxo de oxigênio é potencializada pelo monóxido de carbono. Em relação ao próprio oxigênio, a substância tem afinidade 250 vezes maior de se ligar à hemoglobina - que transporta o oxigênio aos órgãos.

A falta de oxigênio compromete o desenvolvimento do feto. As chances de aborto espontâneo crescem 70% e de o bebê nascer prematuro, 40%, segundo o Inca.

"Basta uma pessoa se expor à fumaça de um a quatro cigarros por dia, em ambiente fechado, para que tenha o dobro de chance de sofrer de enfarte em dez anos", diz Vera, do Inca. A chance de o fumante passivo ter câncer de pulmão é seis vezes maior.

"Os danos causados no fumante passivo só não são maiores em relação ao fumante porque quem fuma é também passivo", conclui Vera. "Ele aspira as substâncias tóxicas pelo cigarro e pela fumaça."

Adriana Dias Lopes
     

 
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