Editorial  

Impossível definir um ano em alguns parágrafos, como se deveria fazer para esta retrospectiva. Especialmente um ano como 2025, que parece ter muito mais dias do que os que caberiam no calendário. Se foi extenso e desafiador, 2025 foi também o ano dos eventos internacionais. Estivemos não em uma COP, a Conferência das Partes de tratados internacionais, mas em duas: a COP 30, do Clima, em Belém, e a COP 11, do tabaco, em Genebra, que aconteceram quase simultaneamente, além da Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Doenças Crônicas não Transmissíveis, em Nova York, e do encontro para negociar o novo tratado sobre o plástico, em Genebra. Representantes das várias áreas da ACT percorreram o Brasil e deram a volta ao mundo participando de congressos e eventos em todos os continentes, trocando experiências.

E agora, em dezembro, completamos nossa décima nona volta em torno do sol, seguindo na jornada rumo aos 20 anos, com cada vez mais compreensão da responsabilidade que nos cabe ao representar a sociedade civil organizada em demandas por uma população mais saudável, um país com menos iniquidades e um ambiente sustentável. Crescemos, ampliamos temas, e nossa Rede de Promoção da Saúde também se expandiu, contando com 2.126 membros, sendo 155 organizações.

Perguntei à nossa equipe palavras que resumem 2025 e vieram muitas, profundas: desafios, esperança, energia, sinergia, conquistas, recomeços, aprendizado, força, serendipidade, resiliência, transformação, presença, esperança, perseverança. O tempo não existe, se expande, e esses sentimentos, certamente, vão estar também em 2026, que será um marco do novo conceito com o qual vamos trabalhar: a prevenção 360o

Em nome de cada pessoa dessa equipe que, como as palavras, tem um significado imenso, desejo boas festas e que venha um 2026 com muita vida. Saúde e paz!

Anna Monteiro | Diretora de Comunicação


Presença nas redes sociais e imprensa

A comunicação, que sempre foi o ponto de escoamento da produção da ACT em todas as áreas, este ano se tornou uma verdadeira fábrica de ideias: foram mais de 420 posts produzidos para as redes sociais, até novembro, e 48 impressos, entre fact-sheets, folders, livretos e outros documentos. Tivemos nove eventos de médio a grande porte, dos quais cuidamos da identidade visual, impressos, brindes, bandeiras, faixas, etc e, no fim, foi um total de 28.963 itens impressos/produzidos. Também realizamos em vários deles ações de mobilização como as tendas Dose de Realidade, de alimentação e Loja de Inconveniência.

Em um ano marcado pela onipresença da Inteligência Artificial Generativa na produção de imagens, a equipe de Comunicação da ACT optou por uma direção estratégica distinta: criamos um banco de imagens totalmente humano, com mais de 3.000 imagens exclusivas, para lidar com a falta de representatividade visual frequentemente encontrada em bancos de imagem comerciais.

A produção abrangeu quatro configurações familiares distintas e priorizou locações que refletem a realidade urbana brasileira, incluindo pontos de ônibus, estações de trem, praças públicas e ambientes escolares. O acervo também catalogou a diversidade gastronômica do país, registrando pratos típicos de todas as regiões.

A viabilização desse projeto é um marco institucional a ser celebrado, por garantir à ACT uma soberania visual e uma capacidade de comunicação baseada na identificação imediata com o público.

Já o site da ACT, que estreou em dezembro do ano passado, recebeu mais de 57 mil usuários e 103 mil visualizações, e os textos publicados no Blog ACT em 2025 receberam mais de 17,4 mil visualizações.

As parcerias com podcasts e criadores de conteúdo levaram nossas mensagens a um público cada vez mais diverso e a lugares mais distantes. Na Rádio Novelo, o episódio sobre ultraprocessados, que foi ao ar no ano passado, ganhou uma reprise este ano por ter sido um dos de maior audiência da história do podcast. Marcamos presença no Ciência Suja, Olá, Ciência, Festival Nexo de Políticas Públicas, Congresso em Foco e Naruhodo, entre outros canais, e ampliamos nossas parcerias com influenciadores digitais.

Toda essa estratégia de produção de conteúdo digital tem sido eficaz para alcançar novas audiências para o debate sobre políticas de saúde pública. Tivemos um crescimento de 28% no número de seguidores no perfil da ACT no Instagram comparado ao ano anterior, com quase 10 mil novos seguidores só em 2025. Alcançamos mais de 19 milhões de pessoas e recebemos mais de 130 mil interações com os nossos conteúdos nas redes sociais.

E além de tudo, ganhamos o 31º Prêmio Abemd 2025, da Associação Brasileira de Marketing de Dados, nas categorias de ESG e Melhor dos Melhores na Especialidade. 

A participação em matérias e artigos de opinião também tem sido reforçada, consolidando nossa organização como uma das principais fontes de informação em veículos de grande porte e portais de notícias, rádios e TVs. A formação de jornalistas é outro ponto de destaque, com a ACT atuando em oficinas e treinamentos em parceria com O Joio e o Trigo e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji.


DCNTs em debate

A prevenção e o controle das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) foi amplamente debatida em fóruns internacionais em 2025. Em fevereiro, estivemos no 4º Fórum Global da NCD Alliance, em Ruanda, com um estande, e participamos de outras atividades e debates do congresso.

Em setembro, Paula Johns e Laura Cury representaram a ACT na Reunião de Alto Nível da ONU sobre DCNTs, encontro realizado em Nova York com líderes de todo o mundo.

Por fim, para avaliar como está a perspectiva brasileira com relação à prevenção e controle dessas doenças, a ACT também elaborou e publicou o Relatório Sombra sobre DCNTs.

Manifesto Sinérgico
Enquanto aguarda a proposta do projeto de lei com a definição das alíquotas do imposto seletivo, a ACT liderou a mobilização do “Manifesto em defesa da saúde na Reforma Tributária”. O texto pede que a alíquota do imposto seletivo sobre tabaco, álcool, bebidas açucaradas e bets seja alta o suficiente para reduzir seu consumo e, consequentemente, as doenças e mortes associadas a esses produtos.

O manifesto é assinado por mais de 30 especialistas da saúde e alimentação saudável, incluindo Drauzio Varella, Margareth Dalcomo, Rita Lobo, Bela Gil, Daniel Becker e ex-ministros como José Gomes Temporão, Arthur Chioro e José Francisco Graziano da Silva, entre outros. O manifesto conta também com a assinatura de mais de 100 entidades e grupos de pesquisa, como a Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Diabetes, Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), Abeso, Greenpeace Brasil, Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e Instituto Alana, entre outras. 

Impostos seletivos e as doenças crônicas

O Ministério da Saúde lançou um documento técnico que ressalta a importância da reforma tributária como oportunidade para o país corrigir distorções históricas. Impostos Seletivos no Contexto da Reforma Tributária Brasileira: Evidências e perspectivas para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis detalha como uma política fiscal focada na tributação de produtos como tabaco, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados é uma estratégia custo-efetiva para a promoção da saúde e redução das DCNT no país, evidenciando o alinhamento entre as políticas fiscais e os compromissos de saúde pública.

A ACT contribuiu produzindo estudos, simulações econômicas e referências técnicas que foram reconhecidos pelo documento e subsidiaram as análises e recomendações apresentadas nele.  

Blackwashing 2.0.

A ACT reuniu mais de 20 especialistas em alimentação, saúde da população negra e relações étnico-raciais para um dia de reflexões sobre blackwashing e captura da pauta antirracista por corporações de produtos nocivos, que influenciam diretamente a saúde da população negra no Brasil. 

A atividade aconteceu no Museu da História e Cultura Afrobrasileira (Muhcab), no Rio de Janeiro, e participaram representantes de organizações governamentais e não governamentais, grupos de pesquisa e empreendedores. As contribuições serão consideradas na elaboração do relatório “Backwashing 2.0”, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026. 

Por trás do lucros

A revista digital Por trás dos lucros entrou no ar em julho, substituindo o antigo MonitorACT. 

Depois de uma reestruturação, voltamos com novo nome, layout e conteúdo mais integrado ao monitoramento das indústrias de tabaco, bebidas alcoólicas e de alimentos.

A primeira edição se concentrou nas cadeias produtivas, no marketing para melhorar a imagem das empresas e fazer com que ocupem fatias de mercado cada vez maiores e nos custos ocultos que definem o preço das mercadorias, tendo como fio condutor a preparação para a 30ª Conferência da ONU sobre o Clima (COP30). Acompanhe as próximas edições em nossas redes sociais.

Saúde da População Negra 

ACT participa de caderno temático, Racismo como determinante social da saúde, produzido pela divisão de tabagismo do Instituto Nacional de Câncer, fruto de discussões sobre os efeitos do racismo estrutural na saúde da população negra, com foco nos impactos do tabagismo como um dos principais fatores agravantes.

A partir de uma perspectiva interseccional e baseada em evidências, os autores discutem meios para a redução das desigualdades e o fortalecimento de políticas públicas equitativas. A publicação foi lançada em novembro, em evento no Inca para celebrar o Dia da Consciência Negra.


Tabaco

A aprovação da lei que determina o imposto seletivo para produtos nocivos foi um grande avanço, mas, infelizmente, dados preliminares do Vigitel apontaram que houve um aumento no percentual de fumantes, o que indica uma necessidade de políticas firmes para o próximo ano. Nesse contexto, é essencial que a definição de alíquotas do imposto seletivo cumpra o papel constitucional de desestimular o consumo de tabaco. Além disso, os dispositivos eletrônicos para fumar têm exigido que as autoridades conscientizem a população e profissionais de saúde sobre os prejuízos desses produtos e enfrentem a propaganda e a venda ilegais.

Tributação de tabaco 

Apesar do projeto que implementa a reforma tributária e o imposto seletivo não ter avançado de maneira significativa, a ACT atuou fortemente ao longo do ano em favor de uma política de aumento de preços e impostos para produtos nocivos.

Houve dois encontros internacionais sobre o tema: uma missão dos parceiros da Iniciativa Bloomberg para Controle do Tabaco foi a Brasília em maio, acompanhada pela equipe da ACT, e participamos do Encontro Regional sobre Impostos de Tabaco na América Latina, no Panamá, em novembro. 

Uma nova pesquisa Datafolha mostrou que a população brasileira apoia a medida: 74% são favoráveis ao aumento anual de impostos de cigarros.

Para fechar o ano, a ACT se uniu à Vital Strategies para lançar a campanha Barato que Sai Caro, que mostra como o preço do cigarro ainda é baixo no Brasil, apesar do enorme fardo social e econômico que o produto representa para o país. Foi lançada uma atualização dos dados do IECS que mostram que são nada menos do que R$ 118 bilhões anuais, considerando tratamentos de doenças e perda de produtividade, contra R$ 8,3 bi em impostos federais pagos pela indústria. A conta não fecha. Produzimos spots para rádio e podcast Foro de Teresina, publicamos um anúncio na revista Piauí e realizamos parcerias com a página Alma Preta e a influenciadora Carol Loback.

Cigarros com sabor

A pauta dos cigarros com sabor foi bastante debatida em 2025. Estamos no meio de um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia uma resolução da Anvisa que proíbe o uso de aditivos de aroma e sabor em produtos de tabaco. Determinada em 2012, essa norma não entrou em vigor devido a repetidas ações judiciais iniciadas pela indústria e seus aliados, mas o julgamento do STF deve decidir a questão de forma definitiva.

Nesse contexto, os cigarros com sabor foram o principal tema trabalhado pela ACT no Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, cujo tema foi Desmascarando as estratégias da indústria do tabaco, já que o uso de aditivos de sabor é justamente uma estratégia usada para deixar os produtos mais palatáveis e potencializar o surgimento da dependência. Criamos uma página com mais informações sobre o assunto, produzimos um vídeo em parceria com o canal Olá, Ciência e trabalhamos diversos conteúdos nas redes sociais, além de participarmos de uma solenidade no Congresso Nacional.

No segundo semestre, um manifesto organizado pela ACT reuniu mais de 60 organizações e especialistas pedindo que o STF reconheça a validade da norma e proteja as novas gerações dos males do tabaco. Esperamos que o julgamento termine em breve, com a proibição dos cigarros com sabor finalmente entrando em voga.

Monitoramento de interferências e irregularidades 

A ACT continuou monitorando possíveis interferências e irregularidades cometidas pelas empresas do ramo do tabaco. Logo no início do ano, em janeiro, foi revelado que diretores da Anvisa fariam uma visita à sede da British American Tobacco (BAT) em Londres. Após mobilização realizada pela ACT e por vários parceiros, a agência acabou cancelando a viagem.

Continuamos a realizar denúncias de irregularidades nas vendas de produtos. Também em janeiro, denunciamos que uma marca de charutos de propriedade do apresentador Danilo Gentili estava realizando propaganda na televisão, o que não é permitido.

Outra irregularidade diz respeito à venda de cigarros eletrônicos e outros produtos em aplicativos de entrega. Especificamente no caso da Rappi, a equipe jurídica da ACT está trabalhando em um processo que procura responsabilizar a plataforma pelos produtos vendidos nela. Em agosto de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em decisão histórica, confirmou que a Rappi deve ser responsabilizada pela ilegalidade e que a empresa não é apenas uma intermediária, mas faz parte da cadeia de consumo, e, portanto, responde pelas vendas ilegais realizadas nas suas plataformas de comércio eletrônico.

A compilação de informações de monitoramento culminou na publicação da edição de 2025 do Índice de Interferência da Indústria do Tabaco em parceria com o Cetab/Fiocruz. O Índice é um relatório global que reúne dados de 100 países. O Brasil ficou com 65 pontos em 2025, indicando persistente e elevada reação do setor às políticas de controle do tabaco, além do aumento da capacidade nacional de monitoramento.

Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) 

Em 2025, a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) completou 20 anos, com 183 países, onde vivem mais de 90% da população mundial, como signatários. As duas décadas do tratado foram marcadas por importantes eventos internacionais. Em junho, a Conferência Mundial sobre Controle do Tabaco aconteceu em Dublin, Irlanda, com presença da ACT. 

Para acompanhar como está a implementação do tratado no país, lançamos a versão de 2025 do Relatório da Sociedade Civil sobre a Implementação da CQCT no Brasil, um documento paralelo ao monitoramento feito pelo governo, que traz a perspectiva da sociedade civil sobre os avanços obtidos e os progressos que ainda são necessários. 

Mônica Andreis, Diretora Presidente da ACT, também foi eleita em abril para o Conselho de Administração da GATC, a Aliança Global para o Controle do Tabaco, um reconhecimento especial por décadas de trabalho em prol da implementação das medidas da CQCT no Brasil.

COP do tabaco e MOP 

Ainda com relação à CQCT, a ACT esteve presente, por meio da delegação da Global Alliance for Tobacco Control (GATC), na 11ª Sessão da Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco, em Genebra, de 17 a 22 de novembro de 2025.  A reunião teve a participação de 160 países membros do tratado e  recebeu um número recorde de inscrições, com mais de 1.600 delegados, incluindo representantes da sociedade civil.

A conferência resultou em uma série de decisões críticas sobre o controle global do tabaco, com foco principal em questões ambientais e de responsabilidade da indústria. Uma delas, por exemplo, indica como é urgente avaliar o impacto de toda a cadeia, da produção ao consumo e descarte, bem como discutir como classificar e manejar a correta destinação de resíduos, como os filtros dos cigarros.  

Em seguida à COP, foi realizada a 4ª Reunião entre as Partes (MOP4) do Protocolo para Eliminar o Comércio Ilícito de Produtos de Tabaco, um acordo derivado da CQCT. Uma das decisões propostas pelo Brasil está ligada à cooperação entre os países e a realização de estudos sobre temas relevantes para monitorar e combater o mercado ilegal de tabaco.  

InovACT e capacitação 

A ACT continuou com o trabalho em promoção da inovação no controle do tabaco por meio do financiamento de projetos e da capacitação de parceiros.

Em fevereiro e outubro, foram lançados editais do programa InovACT e, em setembro, foi iniciada a segunda turma do curso EAD de Políticas Públicas de Controle do Tabaco, oferecido de forma gratuita a candidatos selecionados.


Álcool

A área de controle do álcool da ACT avançou na consolidação de seu papel como referência nacional e internacional, combinando incidência política estratégica, produção de conhecimento, campanhas, comunicação de impacto e articulação ativa com governos, imprensa, redes e parceiros.  

Em recente pesquisa encomendada pela ACT Promoção da Saúde ao Datafolha, 91% da população defendem que as bebidas alcoólicas tragam advertências sobre os malefícios à saúde, nos moldes das mensagens de alerta já presentes nos maços de cigarro. Outro dado importante é que 69% dos entrevistados são favoráveis a restrições à propaganda de cerveja em televisão, redes sociais e eventos esportivos e culturais, ambientes de grande exposição entre jovens. 

Uma dose de realidade

A aceitação popular reforça a relevância da nossa campanha Cerveja também é álcool, veiculada em setembro. Ela não só ocupou as redes sociais com posts e parceria com a influenciadora Carol Loback, como também foi tema de um concurso entre jovens e uma ação de mobilização durante a Corrida da Ponte. Para fortalecer a temática, lançamos um manifesto que angariou mais de 200 assinaturas de entidades e especialistas.

Outro ponto de destaque foi a campanha Dose de Realidade, que aconteceu em dois momentos ao longo do ano, e na última fase cunhou um argumento crucial: com o aumento de apenas R$ 1 na lata de cerveja, é possível poupar 10 mil vidas. Quem não pagaria? 

Essa mensagem, que ressalta uma oportunidade única da reforma tributária, por meio do imposto seletivo, se espalhou pelo Rio, São Paulo e Brasília, ganhando as redes sociais com diversos influenciadores, como Bela Gil, Maria Bopp e Daniel Becker, entre outros. Também foi feita uma atualização dos estudos da Fiocruz sobre mortalidade e custos diretos e indiretos do álcool, fortalecendo a base de evidências para o advocacy.

Encontros nacionais e internacionais

Em nossas articulações com parceiros, participamos de congressos e encontros nacionais para apresentar nossa produção científica e atuar nas áreas de advocacy e comunicação. Entre os eventos, destacam-se o XXVIII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), o Encontro da Associação Alcoolismo Feminino e o 10º Congresso Internacional Freemind. 

Estreitamos, ainda, nossa atuação internacional por meio da rede GAPA (Global Alcohol Policy Alliance), Movendi International e CLAS (Coalizão Latino-Americana Saudável), levando pontos de atenção sobre o álcool inclusive para a Reunião de Alto Nível da ONU sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental. Por fim, garantimos participação na reunião internacional de parceiros do RESET, que ocorreu na Cidade do México, e mantemos presença contínua na Aliança Latino-Americana sobre Álcool (ALASA). 

Para 2026, já antecipamos um convite: em abril, seremos corresponsáveis pela Conferência Global de Políticas de Álcool, a ser realizada no Rio de Janeiro, que contribuirá para o fortalecimento da agenda global de controle do álcool. Inscreva-se!


Alimentação

A reforma tributária foi o destaque principal da área de alimentação, com ênfase em um aprofundamento de estudos preparatórios para a fase de entendimento das alíquotas do imposto seletivo e sobre o que define o preço dos alimentos. Impulsionamos o debate sobre restrição de publicidade de ultraprocessados, estudamos mais a fundo os aditivos presentes nesses produtos e ampliamos o diálogo com diferentes públicos.

Contribuímos, ainda, com nota técnica lançada pelo Ministério da Saúde, que evidencia os impostos seletivos como mecanismo para controle das DCNTs.

Chega de mamata para a indústria de refrigerantes

Fizemos duas edições da campanha Mamata dos Refrigerantes para denunciar os privilégios recebidos pela indústria e seu impacto negativo na saúde da população e nos cofres públicos. Mais de 15 milhões de pessoas foram alcançadas pelos materiais de campanha, que contou com um filme de 30 segundos em intervalos comerciais de TVs abertas e por assinatura, anúncios em rádio e websites, painéis estáticos e digitais nas principais capitais e posts nas redes sociais. 

A campanha também contou com a parceria de um grupo de cinco criadores de conteúdo para redes sociais, Ellen Monielle, Gabriel Lucius, Laila Zaid, Verdes Marias e Regina Tchelly, do Favela Orgânica, que fizeram vídeos dando visibilidade ao tema e convidaram seus seguidores a marcarem os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha.

No segundo semestre, a campanha chamou a atenção do público para uma manobra sorrateira no Congresso Nacional. Senadores aliados da indústria de refrigerantes conseguiram infiltrar no projeto de lei da reforma tributária um artigo que determina que a alíquota do imposto seletivo sobre refrigerantes seja de no máximo 2%, valor irrisório comparado aos 20% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. O texto foi aprovado no Senado, mas está agora sob análise da Câmara dos Deputados, onde há possibilidade de retirar o artigo e corrigir o texto. 

Por escolas livres de ultraprocessados

Seguimos na defesa de medidas regulatórias que protejam estudantes dos ultraprocessados. No primeiro semestre, lançamos a cartilha Advocacy para a promoção de ambientes alimentares saudáveis nas escolas e mobilizamos organizações da sociedade civil em defesa do PL 4501/2020, do Senador Jaques Wagner, que prevê a restrição de ultraprocessados em cantinas de escolas públicas e privadas em todo o país. Além disso, apoiamos a nova edição da campanha Comer bem na escola: queremos uma alimentação nota 10!, uma parceria da ACT com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), FIAN Brasil e Instituto Desiderata, e a campanha A Hora e a Vez da Educação Alimentar e Nutricional, com o Instituto Comida e Cultura. 

Se faz mal à saúde, tem que ter alerta sanitário

Avançou no Supremo Tribunal Federal o julgamento da RDC 24/2010, resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que prevê alertas sanitários na publicidade de alimentos não saudáveis com excesso de açúcar, sal e gordura. A ACT é amicus curiae no processo, que contou, em agosto, com uma audiência pública presidida pelo ministro Cristiano Zanin. A audiência teve participação de mais de 30 advogados e especialistas, incluindo integrantes de ministérios, organizações da sociedade civil defensoras da alimentação adequada e saudável e pesquisadores. Todos defendem a importância da norma e a competência da Anvisa em publicá-la. 

Foram levantados vários dados preocupantes sobre aumento da obesidade infantil, as doenças crônicas, o papel da alimentação não saudável e o impacto negativo da publicidade no consumo de alimentos que são nocivos à saúde. O julgamento ainda aguarda uma decisão final.  

Parcerias em campanhas

Fizemos parcerias importantes em campanhas que têm como pano de fundo a publicidade de ultraprocessados. Uma delas foi a Publicidade que adoece, que buscou sensibilizar a população sobre a importância da regulamentação do marketing de ultraprocessados. 

Aproveitando o Mundial de Clubes da FIFA, a ACT fez parte da campanha global Tirem os refrigerantes de campo (Kick Soda Out), com objetivo de desnormalizar a publicidade de refrigerantes em eventos esportivos e pedir o fim do patrocínio das indústrias de refrigerantes. Mais de 100 instituições e 500 mil pessoas em todo o mundo apoiaram a campanha. 

Comida de Mentira ganha as telas 

Salas lotadas e elogios: 2025 foi o ano em que o documentário Comida de Mentira ganhou a estrada e expandiu seu público. Em abril, a sessão de pré-estreia em São Paulo aconteceu no CineSesc com mais de 250 convidados, e em maio o filme chegou ao Distrito Federal, com exibição para um público de cerca de 300 pessoas no Cine Brasília. 

O documentário também entrou na programação do Festival SESC Experimenta, em várias unidades do estado de São Paulo, e foi exibido em parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, grupos de pesquisa, universidades e organizações não governamentais. 

Quer promover uma sessão de exibição do Comida de Mentira em seu congresso, encontro ou evento? Clique aqui e agende uma sessão.

Marion Nestle de volta ao Brasil

Marion Nestle, professora emérita da Universidade de Nova York e autora de Uma verdade indigesta, da editora Elefante, voltou ao Brasil depois de seis anos e esteve em eventos e palestras em São Paulo, Manaus e Brasília. 

Especialista na atuação das corporações de ultraprocessados sobre as culturas alimentares e políticas públicas, Marion concedeu várias entrevistas aos jornalistas brasileiros, lotou o auditório da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e participou de um debate pós-exibição do documentário Comida de Mentira em Manaus. Também foi a Brasília, onde foi a atração na roda de conversa no Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, e de um mini-curso durante o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Abrascão. 

Congresso Internacional de Nutrição 

A ACT apresentou no Congresso Internacional de Nutrição (IUNS), em Paris, o resumo Reforma Tributária no Brasil: um estudo de caso sobre o impacto nos alimentos, sintetizando evidências de como a política tributária pode promover escolhas saudáveis e desestimular ultraprocessados no país.

Ao levar esse debate ao palco internacional, ampliamos a visibilidade da agenda brasileira e de nossa participação no cenário nacional de discussão sobre o tema, validando, assim, o tema perante pares de diversos países e fortalecendo parcerias estratégicas.